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terça-feira, 30 de junho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A vida e as opiniões da Ana Rodrigues

A amigona das antigas, Ana Rodrigues, que me ensinou a gostar de "Hotel California" e com quem eu curtia muito, muito, Beatles e Doors, avisa que é autora do blog gastronômico Confissões de um Moleskine. Recomendo muito. Na foto ao lado, a queijolândia em Paris. Minha amiga tem bom gosto. E eu tenho bom gosto por ser amigo dela, embora nem sempre eu consiga estar por perto em todas as horas em que devia estar.

Em homenagem à Ana Rodrigues, segue abaixo "Roadhouse Blues", dos velhíssimos tempos, mas com um detalhe renovador: Eddie Veder, do Pearl Jam, nos vocais.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A imagem do Texto 05 - Do lixo viemos, ao lixo voltaremos

Texto inspirado na inspiração infinita dos poetas Pedro Pracchia e Fábio Cardelli (este texto, de certa forma, é mais deles do que meu), e na sensibilidade da fotógrafa Ezyê Moleda. A foto é dela, em: http://agoramomentoinstantepresente.blogspot.com/2009/05/alguns-olhares-de-um-final-de-semana.html

Minha pilha de papéis de pão. Antigos telefones vermelhos de orelhão. Meios-brinquedos, agora assombrados dos adultos que os abandonaram. Restos velhos de anotações fragmentárias de aulas que se perderam no tempo, mortos já os professores, perdidos os alunos nos escritórios da cidade. O cheiro do ralo: no lixo pode-se achar de tudo. A última página deste caderno, que encontrei quase inteiramente em branco. Rol de porcarias que encontrei fuçando nas lixeiras da cidade.

Começou assim: chutei sem querer um lixo na Rua Barra Funda, voou um caderno de anotações novinho: Vou usar este caderno que encontrei, ele serve direitinho para escrever os poemas que eu tenho lá em casa. E passei a procurar, em outras lixeiras do bairro, outros objetos, para que eu pudesse me prevenir das intempéries da vida, eu poeta sem utilidade prática na realidade concreta.

Não me foi fácil. Diziam: é poeta, vá lá, é charmoso ter poeta aqui no bairro, a gente comenta no jantar com os amigos e todos dizem, Oh, eles moram em bairro de poetas; mas agora recolhe lixo das ruas? é poeta ou é lixeiro? é escritor ou é mendigo? E as mães de família, e os pais de família, e a diretora da escola, e o padre da igreja, todas essas pessoas respeitáveis da região batiam à minha porta e perguntavam se eu estava bem, se precisava de alguma coisa, e tentavam olhar para dentro de minha casa e viam o lixo que já se acumulava em minha sala. E eu sorria do desespero deles, porque o meu lixo era pouco, se comparado ao deles. E eu conhecia bem cada um, graças aos vestígios de vida que deixavam em seus lixos: já recolhera as fotos secretas do amante da mãe de família; já encontrara as langerris sujas que o pai de família usava às sextas à noite; lera excitado e me masturbara com as cartas picantes que a diretora da escola trocava com o aluno da oitava série; rira à larga com as cartas que o padre trocava com o mesmo aluno, este o único íntegro de todos, porque só fazia 0 que bem entendia, sem importar-se com o que pensariam os outros. O lixo que ele me legava, aliás, era diferente: o garoto participava de movimentos para a reciclagem.

O cheiro de minha casa era forte, mas não era insuportável: eu havia descoberto um processo alquímico que não conto, é meu segredo. Meus vizinhos também são alquimistas, mas não sabem. Explico de um jeito que só eu entendo: eles compram o objeto, usam, e como que por encanto, num gesto, dão-lhe o nome, quando a utilidade acaba: é lixo. E eu pego esse mesmo objeto, levo para minha casa e o transformo, num passe mágico de palavra, em outra coisa. Eu trato o lixo, faço-lhe carinhos, afago-o, eu ouço o lixo com atenção, observo-o atenciosamente e ele ganha vida.

À noite, em minha casa, a festa é animada e macabra: a cabeça arrancada de um brinquedo de piloto de corrida assume a forma de Virgulino Ferreira, e Lampião declama poemas de Literatura de Cordel, para frangalhos de Barbies, até o amanhecer; o telefone antigo, de olhos arregalados, enuncia conversas, há muito perdidas, jamais escutadas, entre escritores modernistas. E eu anoto tudo na última página deste caderno, que encontrei quase inteiramente em branco, a vida que têm as porcarias que encontrei fuçando nas lixeiras da cidade.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Noites do Bem, Segunda Edição - Por Tiago Barizon

Acontece no próximo sábado, dia 20 de junho, a partir das 23h, a Segunda Edição das Noites do Bem.

Como forma de desenvolver a cena musical independente, uma das iniciativas da Identidade Musical é uma série de apresentações em que bandas e ONGs se juntam para levar ao público o conceito de Ativismo Social Musical. Como parte inegável da construção da identidade cultural do Brasil, a gente acredita que grupos e músicos têm uma atuação social que não pode ser esquecida. Mesmo que esses não tenham ainda se tocado, existe sim uma parcela do público que reflete na atuação e postura da banda ou artista aquilo que se espera ser o ideal de cidadania.

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Discursos à parte, as Noites do Bem trazem para a segunda edição o grupo Julia Car, com seu som eletro-orgânico e super atual. Em resenha sobre uma de suas apresentações, no projeto Prata da Casa no SESC Pompéia, o crítico Pedro Alexandres Sanches classificou o som do Julia Car como uma das pistas para a nova música brasileira. Inclassificável, é isso que eu sinto.

Algumas canções do Julia Car também já foram comentadas na Métrica do Grito.

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Em parceria com a banda, quem vai marcar presença é o Instituto Educacional 3Tambores. O 3Tambores apresenta um método educacional que respeita as fases de desenvolvimento da vida de crianças e jovens, seus talentos e suas vocações. Sua atuação é dividida em 3 dimensões.

A primeira, Quintal de Iaô, é o jardim de infância Waldorf, que atende crianças de 3 a 7 anos inseridas na comunidade; a segunda, ofícios humanizados, destina-se à capacitação profissional de jovens de 14 a 21 anos baseada no princípio de que o ser humano é a matéria prima para a realização do trabalho; e a terceira dimensão, Passagem Verde, é dirigida a jovens de 16 a 21 anos, com a missão de encontrar soluções sociais e ambientais inovadoras e criar práticas sustentáveis para a realização de frentes de trabalhos transformadoras aplicáveis em comunidades.

Se você também acredita que é possível fazer o bem enquanto se diverte, aparece na Livraria da Esquina nesse sábado, às 23h. Custa só R$12 e parte da bilheteria é destinada tanto à banda quanto ao Instituto 3Tambores.

Noites do Bem com Julia Car
Em parceria com o Instituto Educacional 3Tambores
Na Livraria da Esquina - Rua do Bosque, 1254, Barra Funda
Sábado, 20/06/09, às 23h
Entrada: R$12,00
Informações: contato@noitesdobem.com.br
O 3Tambores apresenta um método educacional que respeita as fases de desenvolvimento da vida de crianças e jovens, seus talentos e suas vocações. Sua atuação é dividida em 3 dimensões.

A primeira, Quintal de Iaô, é o jardim de infância Waldorf, que atende crianças de 3 à 7 anos inseridas na comunidade; a segunda, ofícios humanizados, destina-se a capacitação profissional de jovens de 14 à 21 anos baseada no princípio de que o ser humano é a matéria prima para a realização do trabalho; e a terceira dimensão, Passagem Verde, é dirigida a jovens de 16 à 21 anos com a missão de encontrar soluções sociais e ambientais inovadoras e criar práticas sustentáveis para a realização de frentes de trabalhos transformadoras aplicaveis em comunidades .

terça-feira, 16 de junho de 2009

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Poesia Contemporânea

Para meus alunos que dizem não saber onde encontrar poesia contemporânea, basta clicar aqui, link que recebi no Twitter, com 19 poetas e 21 poemas. Aliás, recomendo demais o site Poesia Hoje, para leitura de poemas e crítica.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Carta ao Pai, parte 07


Na revista virtual Mundo Mundano, leia a sétima parte da Carta ao Pai - não a de Kafka, bem entendido.
Entenda o que é a Carta ao Pai clicando aqui.
Nos links do lado direito, clique para ler as cinco primeiras partes da Carta.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O grande acontecimento 32 - Thomas Noccus desdenha colher a coisa oferta

Para o Rafa, que faz rir ao explicar o fetiche da mercadoria

Toda época tem seu pensador. Thomas Noccus era amigo do Poeta e de Égide, frequentava-lhes a casa e explicava as coisas do mundo. Quando planejava a tese de doutorado, em meio a uma bebedeira, foi desafiado pelo casal a explicar a Máquina de Lavar Alma.

- Eu duvido, duvido!, que você consiga explicar os efeitos da Máquina de Lavar Alma.

O desafio era uma piada antiga: o casal já desafiara Thomas Noccus a incluir a expressão "pipoca não tem antena" no texto do mestrado - proposta que o filósofo e sociólogo levara adiante. Nenhum dos três jamais poderia experimentar as maravilhas da Máquina de Lavar Alma, cara demais para comprar ou alugar.

Mas Thomas era insistente: apresentou o projeto à instituição de pesquisa, foi aprovado e iniciou o trabalho. No Brasil do Futuro, a empresa de Meciê Robot, que detinha a patente da Máquina, dispôs-se a bancar parte da bolsa do estudioso, que comprou cerveja, picanha e sorvete de chocolate para os amigos. A revista semanal de variedades mais vendida do país noticiou o estudo, anunciando-o como um avanço no incentivo privado à pesquisa.

O que chocou a todos, primeiramente, foi que Noccus negou-se a redigir o trabalho usufruindo das maravilhas da Máquina: isso poderia comprometer-lhe as hipóteses, era o argumento que ele apresentava, encarado como excentricidade. Depois de quatro anos de trabalho exaustivo, o pesquisador, já próximo da defesa, foi chamado por Meciê Robot para testar a nova maravilha do mundo.
A imprensa estava toda no Centro de Eventos da Empresa, disposta a cobrir o encontro da intelectualidade com o entretenimento. Frente a frente com a Máquina, Noccus declarou:

- Não entro. Não uso nem fodendo isso aí. Enlouqueceram?

Um frêmito assolou a sala. Não entra? É disparate. É capricho acadêmico. Como não entra? E eu faço o que com o texto que já escrevi para a revista semanal de variedades mais vendida do país? E a entrevista que eu já escrevi sem conversar com o senhor, em que o senhor elogia os efeitos da Máquina? Não entra por quê?

- Não entro, porque desdenho colher a coisa oferta que se abre gratuita a meu engenho. Me disseram que se eu entrar nessa merda não saio mais. Tô fora.

Meciê Robot, irritadíssimo, berrou que assim não podia, que não era certo, que a empresa queria o dinheiro de volta. Ao que Noccus respondeu:

- Ora, vá tomar no cu.
Ao fundo, ouviu-se o estampido seco de uma motocicleta, vindo da rua.

Thomas Noccus foi aprovado com ressalvas. Perdia a nota, mas não perdia a piada.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Imagem do Texto 4 - A ilha


Não havia nada naquela ilha. Cogitava-se, do continente, se poderia existir, ali, alguma fonte de água potável. Da praia, turistas observavam a porção de terra misteriosa, virgem, distante, mas que deixava sempre a impressão de que poderia ser alcançada a nado, com os próprios braços. Os barqueiros não se arriscavam: a costa da ilha era perigosa, muita gente morrera ali, a ilha talvez fosse maldita. Ou talvez escolhesse quem poderia visitá-la.

Já mais de um empresário tentara usar a ilha: fazer um bar na praia cuja areia, em dias de sol, podia ser vista do continente. Mas a ilha não deixava - era o que diziam os pescadores da região. Houve até um empreendedor, mais ousado, que chegou a enfrentá-la e a atracar-lhe no lado oposto, voltado para o alto-mar, perigoso, agitado. Mas o homem tinha desaparecido no trajeto pela terra.

E o povo contava histórias de Chupa-Cabras, seres alienígenas que ali moravam, aguardando o resgate dos seus, que um dia voltariam para buscar aqueles acidentados que haviam perdido o disco-voador num acidente. À noite, fora da temporada, houve quem visse luzes na ilha: fogueiras de festas deles.

Cheguei à ilha, a nado, em 21 de março - era o início do outono, lembro-me bem. Desde a adolescência, quando minha família frequentava a praia do cotinente, eu tinha me informado a respeito das correntezas com os pescadores; aos vinte e oito anos, depois de uma vida vazia de relacionamentos amorosos em nome de uma carreira meteórica, que acabara tão brevemente como começara, tive uma crise de síndrome do pânico que me trancou em casa por sete meses - e que me obrigou a reconciliar-me com meus pais, com quem eu não falava desde a formatura da faculdade.

O primeiro passo para vencer o pânico foi ir à piscina do condomínio e nadar, nadar, nadar até os pulmões queimarem. Na saída da piscina, meus pais abraçavam-me como se nada tivesse acontecido no passado, cuidavam de mim, que, com o olhar vazio, observava todo o dinheiro que eu ganhara ir pelo ralo, com médicos e remédios. À noite, depois de nadar, eu dormia sempre tranquilo, até sonhar com a ilha que tanto encantara a minha infância; e propus-me: Vou nadar até lá.

Calculei a distância do continente à ilha, informei-me sobre as correntezas e consegui começar a sair de casa, preparando-me para ir à ilha. Não me interessava o que eu faria lá; talvez, apenas chegasse, tomasse de volta o caminho do continente. O que interessava era a viagem. Meus pais ralharam comigo, disseram que iriam de barco, acompanhando-me; alertei-os de que, além de a costa da ilha ser perigosa, aquilo era algo que eu precisava fazer sozinho - o que eles compreenderam prontamente, deixando-me partir, não sem dor no coração, mas com a fé que eu jamais tivera.

No dia 21 de março, às sete da manhã, parti para a ilha a nado, e lá cheguei às quatorze horas, exatamente. Na praia, abrigadas pela sombra das árvores e de um marco, em forma de cruz, que devia remontar a tempos remotos, havia seis pessoas mergulhadas no mais completo silêncio. Quando saí da água, exausto, uma delas, a minha companheira disse, Vem. E eu fui.

Vida agitada, Pitty e autopromoção

Fazia muito, muito tempo que eu não tinha semanas tão agitadas quanto as últimas. Fim de semestre, que já comentei num post anterior, é a pior fase da vida do professor e do aluno (também eu estou sentado nos bancos escolares, entregando fichamentos, preparando trabalho final, lendo bastante).

Nesta semana, o blog da Identidade Musical foi (felizmente) tomado pelos fãs da Pitty, que acabaram monopolizando os debates. E quem é que disse que "a juventude deste país é alienada"? A turma da comunidade "Pitty [Oficial]" do Orkut me impressionou demais pela atuação, pela participação. Fiquei feliz demais.

No mais, a sexta parte da Carta ao Pai foi difícil de escrever, tomou-me intensamente. Vai saber que recônditos do inconsciente foram cutucados ali. Pior é que fica a sensação de que passei da conta, de que apelei demais para a violência. Mas é por uma boa causa.

Por último, o começo da semana: fiz um vídeo, no CPV, de resolução do vestibular do Ibmec, no domingo, até as tantas da manhã - o que me estragou o sono da semana inteira. Mas gostei dos efeitos. Fazia tempo que eu não me via falando: sensação nítida de que sou outro, não eu mesmo.

Amanhã, reunião com o propósito de mudar o mundo; reencontro com o Michel, que está precisando urgentemente de um chope. E eu também.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Carta ao Pai, parte 06


Na revista virtual Mundo Mundano, leia a sexta parte da Carta ao Pai - não a de Kafka, bem entendido.
Entenda o que é a Carta ao Pai clicando aqui.
Nos links do lado direito, clique para ler as cinco primeiras partes da Carta.