Total de visualizações de página

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Dilei hoje, no Centro Cultural da Vergueiro

CCSPflyer_400

Hoje tem show do Dilei na CCSP. A energia toda do grupo agora se encontrou definitivamente com a vocação para experimentar ritmos, temas e conceitos.

No palco vão estar as duas guitarras, o baixo, a bateria, o violoncelo, o bandolim, o trompete, o trombone, a escaleta, a viola, os samplers e mais todas as vozes que vão tocar e cantar não só novos arranjos de "Olhar o Mundo com os Pés" como também as novas músicas que vão entrar em um EP com previsão de lançamento ainda este ano.

É o primeiro show em terras brasileiras depois da tour pelo Chile e Argentina e está com aquele gostinho de estréia.

Uma amostra está no MySpace do grupo: www.myspace.com/curtadilei

Serviço:
Dilei no Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 (ao lado da estação Vergueiro do Metrô)
Abertura: Sexto Grau
Dia 31/07, sexta-feira, 19h
Entrada: R$ 4,00 inteira e R$ 2,00 meia
Informações: dilei@identidademusical.com.br

terça-feira, 28 de julho de 2009

A Imagem do Texto 06 - O rio e a cidade



Trinta graus - em pleno inverno. Não dá mais pra viver nessa cidade, que se foda tudo, eu vou morar na praia. Abandono família, deixo contato para os amigos, fujo das contas pra pagar, sumo no mundo. Trinta graus, em pleno inverno, não dá. A cidade acabou. Pra mim, acabou.

Essa cidade não tem uma puta de uma beleza natural. O Ibirapuera - ela fala sempre, a moça do Rh, vá ao Ibirapuera aos domingos, para relaxar. Mas aí tem as merdas de cachorro na grama, um monte de gente, as crianças dando de comer pros patos, os patos, os violeiros, os ciclistas, os farofeiros - não tem a paz da praia, como se a cidade transformasse aquelas árvores, aquele lago. Tudo já artificial, a mão do homem está por trás de tudo - o que as pessoas levam para o parque é a cidade.

A moça do RH não vai entender nunca o que eu estou pensando, mas é verdade: as pessoas levam a cidade pro parque. Isso é o que fode tudo. Mas ela insiste em sugerir visitas ao parque. E eu vou, mas vou com a cidade nas costas.

Mais um café. Pra quê um café, se está mais de trinta graus, em pleno inverno? Mais um café. É a cidade que fica me dizendo pra tomar mais um golinho, e acorda, e produz mais, e rende mais, e mais um golinho.

O que eu queria mesmo era morar na praia.

Então eu saio do escritório sem avisar - ninguém é insubstituível, é o que a moça do RH vive me dizendo, então ela que me substitua hoje à tarde, que eu não aguento mais. Eu preciso sair da cidade, pisar o freio e a grama, aceitar o curso natural da vida - chega de querer fazer tudo, rico eu nunca vou ficar mesmo, porque não sou proativo, é o que a moça do RH vive me dizendo. Então chega: se esse é o topo da minha carreira, agora eu vou ver a vida passar, sem preocupação. Eu preciso é sair da cidade.

Vou até o carro para pegar minhas chinelas de praia, elas não saem do porta-malas. E até que fica engraçado andar de terno, gravata desafrouxada, calça social e chinelas pela marginal, que se foda, eu preciso caminhar. Atravesso a marginal arriscadamente, feito louco, e alcanço o rio. A moça do RH me encaminharia para o tratamento psiquiátrico, mas nunca me vi tão são quanto agora, caminho ao lado do rio fétido, mas é ainda um rio, foi violado pelos homens, tomou o curso da cidade, mas é ainda um rio. Eu levo a natureza ao rio.

Me arrisco de novo, atravesso a marginal, subo a ponte. Apesar das grades laterais da ponte, do barulho dos carros, do cheiro acre dos dejetos e da fumaça de escapamento, dos fios que cortam o sol ao meio - apesar de tudo isso, eu levo a natureza ao rio, e a cidade fica para trás.

Foto de Ezyê Moleda em http://agoramomentoinstantepresente.blogspot.com/2009/05/alguns-olhares-de-um-final-de-semana.html

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Carta ao Pai, parte 13


Na revista virtual Mundo Mundano, na décima teceira parte da Carta ao Pai, a série ganha uma cena erótica.

Entenda o que é a Carta ao Pai clicando aqui.

Nos links do lado direito, clique para ler as onze primeiras partes da Carta.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Aprendendo a blogar

De longe, mas muito de longe mesmo, o blog com o qual mais aprendo (no que diz respeito a política, canção popular, internet, Sepultura, Minas Gerais e outros intermináveis assuntos) é O Biscoito Fino e a Massa, de Idelber Avelar.

Nesta semana, o post sobre perguntas que Idelber frequentemente recebe está genial. Aprendi muito.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Carta ao Pai, parte 12


Na revista virtual Mundo Mundano, na décima segunda parte da Carta ao Pai, a série entra em seu último terço, com pacto com o demônio e tudo mais.
Entenda o que é a Carta ao Pai clicando aqui.
Nos links do lado direito, clique para ler as onze primeiras partes da Carta.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Festa Noites do Bem, Terceira Edição

noitesdobem03_450

Os leitores deste blog já conhecem as Noites do Bem: na primeira edição dessa festa, tivemos a honra de receber a banda Madame Saatan, do Pará. Na segunda edição, recebemos a banda Julia Car, de São Paulo. Agora, na terceira, que acontecerá no próximo sábado, dia 18, receberemos a banda Anacrônica, de Curitiba, cujas canções vou comentar amanhã.

Anacronica

As Noites do Bem são uma série de eventos mensais que acontecem na Livraria da Esquina (Rua do Bosque, 1236, Barra Funda). Não é uma festa de rock, nem de música eletrônica ou black, também não de MPB ou um lounge. É uma festa como das que fazíamos antigamente, para encontrar os amigos em um ambiente descontraído, ouvindo música boa e dançante, sem se preocupar com rótulos. E ainda praticamos o bem.

É o seguinte: cada edição traz uma nova banda independente e uma ONG com ação social que se beneficiarão da bilheteria. Desta vez, a ONG participante é o Movimento Boa Praça, originado "da iniciativa voluntária de moradores dos bairros Alto da Lapa, Pinheiros e Sumarezinho, que, inconformados com o estado de abandono das praças da região e conscientes das diversas possibilidades de aproveitamento destes espaços , decidiram se mobilizar e agir, no intuito de sua revitalização. O principal objetivo do Movimento Boa Praça é trabalhar pela melhoria da qualidade de vida no bairro, incentivando o desenvolvimento de atividades a céu aberto, a revelação de potencialidades humanas, associativas e ambientais, resgatando assim a vocação original destes espaços públicos de contemplação, convivência e diálogo".

No som você curte Stevie Wonder e Chico Science, MGMT e Mutantes, Matt & Kim e Boss in Drama, Carfax e Joy Division. A entrada custa R$12, você se diverte e ainda ajuda a desenvolver a cena cultural e social. Isso é o que chamamos de Ativismo Social Musical.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Carta ao Pai, parte 11


Na revista virtual Mundo Mundano, as coisas esquentam na décima primeira parte da Carta ao Pai.
Entenda o que é a Carta ao Pai clicando aqui.
Nos links do lado direito, clique para ler as dez primeiras partes da Carta.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Minhas Férias

Eis que pintou uma oportunidade que não me caía no colo desde março de 2008: umas férias. Verdade é que cinco ou seis dias de descanso não são férias - são uma pausa, para meditação talvez, alguns dias de acordar mais tarde. Férias é que não são.

Mas vá lá: melhor é agradecer a deus (assim rezam os entendidos e os manuais da vida e do mercado), que me deu tanto trabalho nesta vida. E cinco ou seis dias de descanso. Vantagem para mim: deus só descansou no sétimo dia.

Eu já não escrevo os contos do Grande Acontecimento faz umas duas ou três semanas; o mesmo eu digo da Imagem do Texto. E não se trata de bloqueio criativo, mas de bloqueio por estresse. Nem gosto de comentar fim de semestre no blog - eu seria acusado de plagiador de mim mesmo. Então precisava mesmo de uma pausa, por menor que fosse.

Pois sigo adiante, sobre as férias: é nelas que jogo tempo fora, assistindo aos programas que me parecem perda de tempo ao longo do semestre - tentativa minha de fugir ao cotidiano. Dei algumas risadas com o Pânico (descobri de onde vem a tal piada "Ronaldo", que os alunos do CPV insistiam em fazer e eu insistia em não entender), mas revoltei-me com exageros preconceituosos (chatice minha, vá, todo mundo assiste e gosta); hipnotizei-me, como sempre me acontece quando vejo reality shows, com A Fazenda, porque ali o mundo-cão impera - aquelas pessoas são celebridades ou estão batalhando, a tapas, para sê-lo? Só conheço o cara que fez Cidade de Deus e o outro, que provocou João Gordo. De resto, na tela da TV, celebridade de verdade mesmo, só o Michael Jackson, do qual já me empapucei. Deixa o homem morrer.

Também assisti ao jogo Corinthians e Internacional, e torci para o time gaúcho, que perdeu. Meu objetivo era simplório: se o Corinthians ganhasse, haveria mais fogos de artifício, que irritam a mim e a meus cachorros. Se dependesse de minha torcida, todos os clubes de São Paulo não existiriam - e haveria um pouco de silêncio na cidade (chatice minha, vá, todo mundo gosta de futebol).

O mais curioso é que eu estava numa pousada de regras rígidas: não pode isso, não pode aquilo; restrições a fumantes, como sempre - e com toda a razão. Mas berreiro, barulheira, palavrão na janela, depois das onze da noite, quando o "coringão" marca gol, pode. Sempre a mesma coisa. E fico quieto - ainda bem que há os remédios da felicidade, que me fazem deixar pra lá. No mais, se eu reclamasse do barulho, diriam que sou um palmeirense invejoso: ninguém consegue ver que há outras realidades além do futebol.

Deixei para lá mesmo e fui à leitura: Veneno remédio - o futebol e o Brasil, de meu ex-professor José Miguel Wisnik. E tenho de dar o braço a torcer: além de nossa canção popular, ao longo do século XX, o que fizemos foi futebol. Coisas de afirmar o outro, negando-o: para entender, só lendo o livro. E toma-te (aprendi essa com os Saatans, paraenses do coração) comparações e paralelos com textos de Machado de Assis e Mário de Andrade. Ainda processando. Preciso me adaptar ao Brasil. Preciso entender o futebol. Estou fazendo força.

Mas aí, na tv, uma dileta senhora imbecil afirmava que era muito injusto não poder passear com seus filhos na Oscar Freire porque sempre algum mendigo vinha incomodá-la, pedindo dinheiro. Depois, uma reportagem que afirmava que os fumantes têm menor chance de classificação em processos seletivos. Concluí que, nas fichas de emprego, devo assinalar o quadradinho de "não-fumante". Mais do que isso: "anti-tabagista". Mais ainda: "não fumo e odeio quem fuma, mas adoro comentar o resultado do futebol às nove da manhã, no café da firma".

Finalmente, a gota d'água da realidade: ficou oculto, em uma entrevista banal, o talento do poeta Fabrício Carpinejar, no programa do Jô Soares. A entrevista foi um amontoado de besteiras e de piadas sem graça, como costuma acontecer no programa. Coloco o link, para enriquecer o post, mas não acho que valha a pena perder tempo. Onde estão as perguntas sobre a vida, a obra, as ideias do escritor? Ah, é verdade: isso não faz o público rir feito imbecil.





É pena: Carpinejar publicou, na revista Gv Executivo, o artigo "Marketing e Literatura", que deveria ser mais lido do que é. Infelizmente, o texto não está disponível para download. Como já disse, era realidade demais para mim. Sei que Carpinejar é um bom escritor e certamente foi ao Jô divulgar o livro para o grande público. Mesmo assim, fiquei puto, apaguei a luz e dormi: prefiro o cotidiano, a realidade, às minhas férias na frente da tv. Sempre gostei mais de escola do que todo mundo. Sempre fui um puta dum chato. As minhas férias não servem nem para virar redação do começo de ano.

sábado, 4 de julho de 2009

O espetacular mundo de minhas amigas - Parte II

A amiga e colega de Mestrado e Doutorado Kátia Medeiros Suelotto avisa, sob o pseudônimo de Kátia Proust, que publicou o conto "Uns olhos", na Revista do Desassossego.

Um dia, alguém vai tirar uma foto de uma festa de aniversário minha. E ao fundo estarei eu. E a posteridade perguntará: quem é esse, no meio de tantas famosas? E alguém responderá: sei lá, porra! É um amigo delas.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O espetacular mundo de minhas amigas - Parte II


A amiga Paula Eisenstadt convida para o lançamento do livro Fases Iniciais da Psicose, do qual é colaboradora. E, pelo título da obra, já se entende bem nossa relação: eu a vejo como amiga; ela me vê como amigo-quase-paciente.
Obrigado, Paula
Na Livraria da Vila dos Jardins (Al. Lorena, 1731), dia 03 de julho, sexta, das 19h às 22h.

O espetacular mundo das minhas amigas

No post anterior, divulguei o blog da Ana Rodrigues, amiga do coração, chef de cozinha, fotógrafa, ex-atriz - artista de tudo, até da vida. E fiquei batucando comigo mesmo a agradável ideia de que, ao longo dos últimos 33 anos, fui rodeado - sou até hoje - de mulheres espetaculares. Adriana Quintanilha é outra delas - que reestréia Felizes para Sempre, de Mário Bortolotto, montagem que alcançou elogios do próprio autor. E com toda razão: fui da primeira vez e saí encantado e atormentado com os diálogos, a atuação, a trilha, o espaço. Recomendo muito.

Abaixo, o teaser da peça. Na sequência, o release e as informações.



Felizes Para Sempre é formado por três peças curtas. Casais retratados em seus conflitos de relacionamento, em suas buscas por sentido, por acolhimento. Revelam suas fragilidades, carências, desejos e frustrações. Todos são jovens urbanos imersos em intensa solidão a dois. No silêncio da noite, na solidão de nossas cidades a dor da existência humana é exposta. Não há remédios. Achar que ter um companheiro ou companheira é resposta para o vazio de nossas almas é acreditar que possamos viver felizes para sempre.

Texto: Mário Bortolotto
Direção: Simone Shuba
Elenco: Adriana Quintanilha, Felipe Ramos, Mariana Marinho, Henrique Zanoni
Quando: Quintas, 20hs
Onde: Espaço dos Satyros UM, pça Roosevelt, 214
Quanto: R$ 20,00; R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt)
Lotação: 70 lugares
Duração: 70min
Classificação: 16 anos
Gênero: Drama