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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Retalhos e fragmentos de blogs

Sem aulas no CPV, pude fazer algo a que tenho tentado me acostumar, mas que ainda é difícil: ouvir música e ler na internet. As coisas interessantes que encontrei:

* Via Poesia Hoje, encontrei entrevista, na Revista Sibila, de Luis Dolhnikoff com Leda Tenório da Mota que é, para dizer o mínimo, uma paulada na cabeça de fabianos como eu. Só um gostinho: "Eu não acho, não, que a prosa vai melhor que a poesia. Até porque os três grandes a que você se refere – o Milton Hatoum, o Bernardo Carvalho e o Chico Buarque de Holanda – são todos midiáticos, isto é, jornalisticamente construídos, e estão todos sob a chancela da Companhia das Letras". Irritou-se por falarem mal do Chico Buarque? Então leia a entrevista clicando aqui.

* Marcelo Rubens Paiva me deu três presentes de uma só vez: um texto em que reclama placidamente da falta de qualidade de atendimento do site Submarino; outro, em que analisa a a exposição de Sophie Calle no SESC Pompéia (leia clicando aqui); o último, a indicação da banda Eddie, que toca hoje no Studio SP:



* O editor-chefe do Showlivre, Rodrigo Carneiro, indicou Marcelo Jeneci. Eu ouvi e gostei.

* José Saramago me fodeu a vida, afirmando que "Desrespeitando certos teóricos que, não destituídos de razão, se têm insurgido contra a tendência “romântica” de ir procurar à existência de um escritor os sinais da passagem do vivido para o escrito, o que, supostamente, seria a final explicação da obra, Kafka não esconde em nenhum momento (e parece fazer mesmo questão de que se note) o quadro de factores que determinaram a sua dramática vida e, em consequência, o seu trabalho de escritor". Leia o texto completo no Caderno de Saramago. E agora, que faço com a Carta ao Pai? Que é que vão pensar de mim?

* O parceiro, sócio, amigo, leitor Tiago Barizon indica, via Facebook, o Festival Sinfonia de Cães VII, com o teaser incrível de Cardelli, da banda Visitantes, que já analisei no blog da Identidade Musical:



Sigo lendo, escrevendo e ouvindo música: até a gripe suína pode ter um lado bom. É o que estão dizendo todos os alunos que tiveram aulas canceladas neste início de agosto.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O grande acontecimento 33 - Tempestade de homem

Mesmo os grandes acontecimentos escasseiam depois de algum tempo. Acontecem fora do tempo, porque se delineiam no passado, repercutindo antes mesmo de ocorrerem, ecoando ainda pelo futuro, até que sejam superados por outros mais significativos, reverberando eles todos nas vidas dos homens que os experimentaram e também nas dos que só ouviram falar deles. Não há tempo presente nos grandes acontecimentos.

Thomas Noccus desdenhou colher o que lhe fora oferto. Coisa de família, disse a mãe, quando viu o furdúncio que o filho aprontara. É que o avô dela, Carlos Christian, já marcara as existências da família e de outras pessoas com trovoadas: tempestade de homem, apesar do nome de cantor romântico.

Carlos era, antes de tudo, um forte. Já na Escolinha Tradição Infantil, destacara-se por estapear um amiguinho mal-educado, Onejar, porque este arrotara-lhe na orelha; Carlos também fora surpreendido, no banheiro, bolinando Gisele, a irmã do mesmo Onejar. Fora a vingança definitiva.

Até os pais temiam Carlos, que não temia nada. Suas escolhas foram sempre feitas de acordo com sua própria vontade; nenhuma influência externa podia demovê-lo das convicções que adquirira sabe-se lá onde; seus argumentos iam de Aristóteles e Yumbad Bagun Parral, sem pestanejar, com a facilidade dos que nasceram para todas as batalhas, sobretudo as de ordem intelectual. Nunca lhe interessaram meninos ou meninas, até que, num debate político, já na faculdade, conheceu Rita.

Descalça, prescindindo das formalidades que o grupo de estudos costumava adotar nas longas discussões políticas, Rita argumentou livremente, mas Carlos não lhe ouviu as palavras: corria os olhos pelo corpo dela. Fazia calor - Rita trajava um vestido curto e, sentada numa carteira velha, tinha as pernas cruzadas, os ombros, os braços, os joelhos e os pés à mostra, com os seios sugeridos nos contornos leves do tecido macio. Carlos perdera a razão e não sabia que dizer - alumbramento de menino que se faz homem, num jorro.

E o leitor se enganará caso suponha que foi este o grande momento da vida de Carlos. Rita também observou-o, desejosa, naquela tarde. Mas não era ela toda tempestade, como ele. A moça já conhecia os mistérios - e levou-o para conversar, mas ela mais falou do que ouviu. E já na cama, naquela mesma noite, Carlos percebeu a maravilha de ficar calado.

domingo, 2 de agosto de 2009

Carta ao Pai, parte 14


Na revista virtual Mundo Mundano, na décima quarta parte da Carta ao Pai, o narrador se casa.

Entenda o que é a Carta ao Pai clicando aqui.

Nos links do lado direito, clique para ler as treze primeiras partes da Carta.