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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Reativo

Nos dois meses em que não escrevi neste blog, tanta coisa aconteceu que me privo de registrar tudo aqui. Basta dizer que tudo que houve foi suficiente para me fazer abandonar temporariamente estas mal traçadas linhas.

O pretexto deste post de retomada é a publicação do artigo "A literatura como mercadoria em Budapeste, de Chico Buarque", (sempre ele), na Revista Aurora, resultado de intuições de leitura, aulas no CPV e longos debates com o amigo e mentor Rafael Araújo, um dos maiores entusiastas deste blog - a quem dedico este post redivivo.

Mas é apenas o pretexto: depois de idas e vindas, de furos homéricos e acertos humildes, de grandes projetos e pequenos passos, de passos atrás, paradas frente ao mar da Baía de Todos os Santos e caminhadas acompanhado de Fidel e Mira, percebo que a sabedoria está nos muros de São Paulo: "O eterno não existe: acostume-se ao transitório". O transitoriante, Tio Man'Antônio, de Guimarães Rosa: assim eu queria ser, livrando-me do que pensei acumular, só para aprender que é preciso aprender a deixar as coisas para trás. Hoje concluo que todos os homens são iguais e que todos têm talento, mas que a bosta do mundo atribui mais valor a alguns dons. E dá-lhe Gramsci.

"O amor é importante, porra": a melhor frase escrita nos últimos tempos, sabe-se lá por quem, mas que se espalha por São Paulo, como a avisar que a correria não vale a pena. E faz-se presente outro dos viventes de Guimarães Rosa, o que era cumpridor, ordeiro e positivo - cujo sofrimento fez perceber que, até quando o corpo pede um pouco mais de calma, a vida não pára. Falta-nos tempo para perceber que a vida é rara.



Foda-se: eu paro a vida. Que venha outubro, mês do bruxo do dia 13 invertido.