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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

formspring.me

Você tem sede de quê? http://formspring.me/rogerioduarte

Um texto de Danislau Também

Danislau Também (na foto) é certamente um dos maiores talentos artísticos desta nossa geração que vai ganhando espaço. Roubei o texto abaixo do blog dele.

Além de um puta poeta, Danislau é vocalista da banda Porcas Borboletas, que lançou um dos melhores - talvez o melhor - discos de 2009, A Passeio. Quem acompanha o blog da Identidade Musical sabe que escrevi vários textos sobre a banda.

até

amanheceu o dia aqui, luzes percorrendo as horizontais, porque ainda é cedo.

preparo o cesto de roupas sujas pra viajar. viajo com as roupas sujas. parto para o futuro com as roupas sujas.

dois anos atrás, véspera de ano novo, fiz o convite: conta comigo os últimos segundos desse ano que vai passando.

fizemos a contagem regressiva, contamos como pudemos os compassos iniciais do ano. a que número chegamos?

difícil contar comigo. mas a sua contagem segue firme. cheia de doçura, como uma canção.

dedicado à gabi

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O fogueteiro e a fenda que sangra

Fonte da foto: clique aqui.

Provavelmente, já se escreveu tudo sobre o Natal: desde as expectativas de mais amor no mundo até a desesperança completa na humanidade e no espírito de amor. Faço parte do segundo grupo, com nojo especial do surto consumista, da formalidade planejada da ceia, da obrigação esvaziada de sentido e da felicidade falseada, à moda de propaganda de peru: a família toda reunida, escamoteando o desconforto, as invejas, as mágoas, as mentiras. Prefiro ficar só, ou com poucas pessoas, porque nem sempre é possível escapar às obrigações.

Haverá quem me veja como um mal-humorado, ou frustrado, ou sectário ideológico da esquerda perdida, que vê em tudo a lógica de consumo ou do capital. Nem isto, nem aquilo: só a constatação de que cuidamos de tudo que é superífice e discurso, mas não damos atenção ao sentido profundo das ações.

Nem eu me aguento no natal, confesso - e a minúscula tenta minimizar essa data, feriado de fúria, em que nos entupimos de comida, para tentar ocupar o vazio. Torço para que a ceia aconteça rapidamente, de forma indolor. Mas alguns imbecis aqui do bairro agora deram para estourar fogos no natal.

Já escrevi antes: soltar fogos é coisa de quem precisa muito mostrar aos outros que é feliz. O vazio interno deve ser tamanho, de tal sorte que é preciso dilatá-lo ao máximo, dizer, sob a forma de um foguetório, de um morteiro, ou de outro qualquer artefato que o valha: a fenda que vai dentro de mim será sufocada com bastante barulho, que vai se espalhar pela cidade, vai acordar os idosos, acordar os cães, irritar quem quer ficar sozinho, apavorar as crianças. Aliás, que elas sejam bem-vindas à bosta de vida em que vivemos, em que não podemos ser passados para trás, em que temos de esmagar os outros antes de conhecê-los e antes que eles nos esmaguem, porque somos todos iminentemente inimigos. Estão aqui as minhas trombetas de guerra, é com elas que anuncio meu poder e que invado as casas a todos. As crianças devem aprender a fazer barulho desde cedo.

E o fogueteiro dirá mais: aos velhos, minhas trombetas coloridas anunciam o fim, que se avizinha. Se estiverem surdos, verão as luzes; se estiverem cegos, sentirão as vibrações: não lhes bastou a vida inteira de miséria, anunciamos agora seu abandono - de fato, é melhor morrer logo, o novo toma espaço ao antigo, é a lei da natureza, vocês velhos já foram jovens e já estouraram fogos que nos apavoraram na infância, até que tomamos, nós e vocês, o gosto pelo pavor alheio, e assim seguimos.

E continuará: aos cães, e a todos os animais, tomem consciência de que a Terra pertence aos homens, e que os discursos ambientais não surtirão efeito nenhum, porque não abro mão dos meus prazeres pessoais pelos outros, meus inimigos naturais, como sou eu dos animais. E que todos os cães e gatos da cidade se apavorem, e que se escondam, porque é dos homens e de seus caprichos o mundo, e de nenhuma outra raça.

E concluirá: aos que querem ficar sozinhos, entendam que isso é impossível, se quiserem o isolamento, que morem em uma cabana no mato, e saibam que até a ela chegarão as trombetas do natal e do ano-novo, é impossível fugir a elas. E saibam que despejaremos nos arredores de sua cabana os corpos dos velhos que morrerão de susto, e que educaremos as crianças para que ocupem o mato com tratores, e depois carros, e depois estradas, e depois mais fogos, e que os animais já não mais existirão. E que os solitários, se forem velhos, serão despejados mais para longe; e se forem adultos, temerão tudo tanto quanto eu, fogueteiro, porque ninguém pode ser sozinho, muito menos ser feliz sozinho, porque a fenda que me sangra tem de se espalhar. E é assim que é.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Zeca Viana

Dos grandes sons que descobri em 2009, o de Zeca Viana figura em primeiro lugar. Leia mais sobre o trabalho de Zeca clicando aqui.

Para encerrar o ano, Zeca disponibilizou o vídeo-clipe "Eterno Domingo", gravado em Angra dos Reis, no Rio, com produção em parceria com a artista plástica Bruna Rafaella.



O vídeo foi lançado no XI Festival de Vídeo do Recife e encerra o ciclo de vídeos do disco Seres Invisíveis. Outros vídeos podem ser acompanhados no You Tube (canal Zeca Viana), ou na MTV como "When I See Your Face (I get so high)" que faz parte da programação Lab BR (sábados e domingos das 11h00 ao 12h00).

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Preguiçoso



Na verdade, fui preguiçoso minha vida inteira. Nunca tive vontade de sair de casa, de ir à praia ou de ir à escola. Teria ficado a vida inteira na frente da tv e dos livros, experimentando realidades fictas, se pudesse. Tiraram-me dali, de um mundo a que por vezes retorno, embora eu esteja controlado. Arrancaram-me à viagem à roda de meu quarto, à força, quase à forca. E eu fui, fraco que sou, não fosse a medicina moderna jamais teria sobrevivido. Não se trata da lei do mais forte, trata-se da lei do não-morrer para não viver, que não são a mesma coisa, mas são estágios diferentes, de passagem, entre outros dois - supostamente autênticos. Ora, minha verdade real reaparece às vezes, como hoje, em que demorei horas para dormir, a despeito de todo controle, e a mente expandiu-se sem limites na escuridão, das tatuagens às pornografias.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Artigo no site PortoCultura


Uma boa parte do público de São Paulo ainda não sabe, mas uma nova geração de bandas nacionais de rock tem se transferido para a cidade. Seja pela qualidade dos letristas, seja pelas novas propostas sonoras, seja ainda pela postura crítica, não se pode dizer mais que o rock brasileiro acabou na primeira metade da década de noventa, como se costuma ouvir por aí.

Esse é primeiro parágrafo do artigo "São Paulo é a meca das bandas independentes", que escrevi pela Identidade Musical, a pedido da nossa assessoria de imprensa, a agência Entre Aspas.

O texto foi publicado na seção de música do site Portocultura. Para ler o artigo completo, clique aqui.

Ruim de palco

Sempre fui ruim de palco. As pessoas riem quando digo isso e argumentam que não pode ser verdade, afinal sou professor. Ao que respondo: tablado e palco são duas coisas diferentes. No vídeo abaixo, um dos momentos mais importantes de 2009 para mim:



Para entender o contexto em que estava metida a situação acima, consulte o site do Projeto Mais Massa: www.maismassa.com.br

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A alma portuguesa

O fado mexe com a alma. No vídeo abaixo, a fadista Mariza canta o "Povo que lavas no rio", já consagrado na voz de Amália Rodrigues.

2009 e meus mestres

Depois de várias semanas dedicado aos estudos, aos eventos da Identidade Musical e do Projeto Mais Massa, voltei a respirar um pouco mais tranquilo. É verdade que sábado rola a edição de dezembro das Noites do Bem; que ao longo das próximas semanas preparo o pessoal do GH para o concurso, que acontece em janeiro; e que trabalharei em janeiro, com um período mínimo de descanso. Mas o fato de escrever por aqui já indica uma certa folga.

Começando pelas indicações virtuais: Rodrigo Carneiro, editor-chefe do Showlivre, postou no blog dele este desbafo quanto à violência em São Paulo, que me emocionou muito: http://euelaocoeoaffairredivivo.blogspot.com/2009/12/tiros-na-roosevelt.html. Já disse a ele mais de uma vez: tudo que eu penso em fazer, ele já fez faz tempo, ou acabou de fazer. Tiro-lhe o chapéu de novo.

Outro mestre bom que dá a cara a tapa na rede é Luiz Cláudio Bido, meu amigo, professor, mestre, parente, afilhado, e sei lá o que mais. Só digo que foi o Bido que me apresentou os Titãs e o PT da década de oitenta, que eram bem diferentes do que são hoje. Vivi os últimos 15 anos querendo ler os poemas que o Bido escrevia - e agora eles estão disponíveis no blog http://poesiadobido.blogspot.com/. Recomendo e deixo no blogroll ao lado.

Finalmente, digo que 2009 foi um ano de mudanças. Nem eu percebi, mas neste ano escrevi o primeiro texto completo de que não me envergonho: a Carta ao pai, cujos episódios podem ser lidos aí do lado, na revista Mundo Mundano (será que ainda tenho espaço pra escrever na revista, Camila Briganti?).

Aprendi com Newton Duarte, que reencontrei num breve dia deste ano maluco, que não vou entrar pra história da literatura brasileira, mas que o que interessa é escrever. Newton ganhou uma filha, que não visitei ainda. Falha minha. Newton perdeu um amigo, que sequer conheci: as distâncias que a cidade impõe. Vou lá, antes do fim do ano.

Também eu perdi um amigo. Quero registrar-lhe o nome aqui: Martinho Marcos de Freitas. Junto com os que estão nos parágrafos acima, uns mais, outros menos, Martinho orientou claramente minha vida ideológica e literária e muitas de minhas escolhas profissionais. Além do tamanho de meu cabelo, é claro. São Paulo ficou mais feia e mais intolerante, em 2009, sem Martinho e sem fumantes nos bares. Era pra parar e pensar - e tivemos duas vezes a chance de fazê-lo, no apagão e nas chuvas de terça-feira. Mas a Cidade não pára - avisa outro grande mestre, Clemente Nascimento. E ficamos assim, correndo atrás de tudo que não interessa, quando deveríamos parar um pouco.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Projeto Mais Massa, no Centro Cultural Rio Verde, dia 09/12: Pelota e Violão, uma tabelinha com o professor

Pelota e violão - Uma tabelinha com o professor apresenta:
Projeto Mais Massa em Coletivo Música Plural Brasileira

Uma noite para cantar o brasil. Artistas do novo rock fazem um bate-bola com a música plural brasileria. As bandas Los Porongas (AC), O Sonso (CE) e O Jardim das Horas (CE), com participações de Saulo Duarte (da Unidade), Sammliz (Madame Saatan) e mais um time de convidados, fazem um sarau em homenagem a grandes compositores da música brasileira que os influenciaram: Belchior, Benito di Paula, Milton Nascimento, Chico Buarque e outros grandes nomes numa noite sob a batuta do Professor Mauro David Cukierkorn.

Serviço

Centro Cultural Rio Verde (http://www.centroculturalrioverde.com.br/)Rua Belmiro Braga, 119 - Vila Madalena

Dia 09 de dezembro de 2009
Abertura da casa: 19h30
Início: 20h30
Shows: Los Porongas(AC), O Sonso(CE), O Jardim das Horas (CE)
Entrada: 15 inteira / 10 com nome na lista (lista@maismassa.com.br) Convênio com estacionamento em frente: R$ 13,00
www.maismassa.com.br