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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Mais uma de Marcelo Mendez

Cinema, reminiscências familiares, ditadura militar na perspectiva de uma criança, cerveja, salvação do mundo e lágrimas em mais um blog de Marcelo Mendez: http://cinetangara.blogspot.com/. Nas palavras do próprio: "clica ae, rapá! Precisa é meter o pé na porta, empurrar quem tá na frente... esse é um blog de cinema de um cabra bruto!".

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O carnaval

No estacionamento do supermercado, um casal de uns vinte cinco anos usa a vaga para idosos. Entre uma gôndola e outra, idosos afanam alguns produtos, colocando-os na bolsa, na certeza de que ninguém os revistará - porque são idosos. Na fila do caixa, uma mulher que havia esperado pelo marido no carro o tempo todo entra na frente de todo mundo, com uma criança de sete anos de idade no colo - o que não significa que a criança seja de colo.

Na chegada a minha casa, meu vizinho faz reforma pesada em pleno feriado de carnaval. Interrompe às 23h. Reinicia às 7h30 - do feriado. Vou até lá, reclamo, mas ele faz cara feia, afinal estou atrapalhando o trabalho dele. É carnaval, me diz a transmissão de tv. No carnaval, vale tudo. O carnaval é a festa da inversão - o homem se veste de mulher, o empregado é servido pelo patrão. Mas a verdade é que o Brasil é a festa das trocas, sempre, o ano todo - aqui o malandro é herói, o correto é idiota.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sérgio Sampaio



Olha, digo sem medo: tive medo em muitas horas, hesitei em outras tantas, pensei demais, comprei um monte de baboseiras que me empataram a vida. Mas acabou.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Carnaval na Argentina

A amiga Ludmilla Lima parece ter encontrado a receita correta para fugir ao carnaval: morar na Argentina e criar o blog http://cartasargentinas.com/, a partir de hoje na lista de blogs à sua direita. Saudades da Lud!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A porta da história

Conto por que parei de beber. Foi mesmo naquela época. Estávamos a passeio na Antártida, eu e a minha esposa naquela altura, a Jaqueline. Ela gostava de viagens exóticas, fomos à Índia, fomos ao Egito. Quando fizemos Ushuaia, ela decidiu: quero ir à Antártida. Já não era mais uma questão de exotismo, agora era de limite - ela queria ir ao fim do mundo, foi o que me disse na ocasião. Era meu ano sabático, de folga, sem preocupações. Fui.

Acontece que quando chegamos lá, fomos visitar a cabana do Shackleton - Jaqueline adorava histórias de aventureiros, gente que faz coisas inéditas, façanhas prodigiosas, que deixava sua marca violenta na história, mesmo que fosse na história cotidiana, que pouca gente conhece, com gosto especial pelos ingleses, em cuja cultura foi criada. Ela conhecia a história dele, queria pernoitar na cabana - ao que respondi positivamente. E por que não passar a noite numa cabana que serviu de refúgio a um homem que estivera ali há cem anos? Talvez pudéssemos - eu brinquei - roubar pra nós um pouco da coragem e do empreendedorismo daquele homem, talvez ele ainda estivesse lá, de alguma maneira, e tivesse algo a nos ensinar. Tive de molhar muitas mãos, conversar com muita gente, gastar meus dois sotaques de inglês, além do meu francês, pra poder dormir ali.

Pois aconteceu que Jaque encontrou garrafas de uísque e de conhaque, fuçando o assoalho da cabana. O rótulo antigo, desgastado pelo tempo, trazia o ano de fabricação: 1888. Que mal tinha beber aquilo? Uísque é pra durar, não é? O gelo rachou algumas garrafas; outras estavam intactas - pegamos uma de uísque, porque ficamos com medo do conhaque. E matamos a garrafa, com gelinho do chão mesmo, como se fosse suco, como se ingressássemos na história guardada nos mais de cem anos do uísque e sabe-se lá mais quantos do gelo.

Não tivemos ressaca nem ficamos embriagados, mas Jaque começou a delirar, como se falasse assim um português antigo, não sei explicar. Você já foi a um terreiro? Todo mundo já foi, mesmo gente como a gente, assim. Parecia isso - ela falava diferente, não grosso, mas como se fosse velha. E gritava coisas sem sentido, dizia que queria todo mundo fora daquela casa, que aquilo tudo era dela. E que era pra botar na picota aquela negra vagabunda, que ninguém paria filho dela aqui, não, meus pecados, aqui não. E me olhava com ódio, dizia que eu não conseguia me segurar dentro das calças e que não era filho de quem eu era.

Aí é que se deu o problema: Jaque perdeu a razão, na manhã seguinte, em que uma nevasca nos deixou isolados, sem comunicação. O guarda já tinha me avisado que isso poderia acontecer, era normal, mas que não me preocupasse, porque em vinte e quatro horas eu teria ajuda. Mas Jaque estava descontrolada. Dei um cochilo, para esperar, para ver se a demência ou se o espírito ia embora: ela me acordou tentando arrancar um dente meu, com um alicate. Empurrei-a longe, e ela gritou que o pai dela não ia deixar assim não, ela dizia, não vai deixar assim não, vamos ver quem pode mais.

E foi então que se deu a tragédia: num átimo, tomei-a nos braços e a amarrei a uma coluna da cabana, implorando-lhe que parasse de gritar, eu não queria fazer mal a ela. A cada pedido meu, Jaque urrava maldições, de modo que não pude. Num misto de horror e prazer, lanhei-a nas costas, sangrando-a de imediato. E me veio à mente minha formação, tudo que experimentei no Brasil e no exterior, como se a minha história convergisse toda para aquele instante, naquela cabana fora do tempo e do espaço - num eterno presente que me fez apavorar-me daquela voz dissonante. Sangrei-a no pescoço, e ela perdeu a cor aos poucos, até que obtive o silêncio que eu precisava.

Nunca fui punido pelo crime que cometi: julgaram-me inocente, afinal Jaque enlouquecera, e o resgate só chegou depois de dois dias. Enquanto esperava, congelei o corpo de minha esposa do lado de fora, para preservá-lo. Ao avistar os primeiros soldados que vinham me salvar, lembrei-me de apontar as garrafas de uísque importado que Jaque encontrara. Depois de removido o corpo, recebi cumprimentos pelo meu feito: eu acabava de abrir uma porta para a história.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O eco e o vazio

Para participar do concurso de melhor texto com o tema “o meu caminho para casa”, proposto pela Ana Rüsche, de cujo blog sou leitor diário

Dá mais uma? não queria ir pra casa. Lá não tem nada pra mim, não tem ninguém, tem só eco o apartamento. Porque está vazio, não tem móveis, não tem cama, os meus livros ainda estão na outra casa, deixei tudo lá, não suportava mais aquela confusão, precisava ficar só eu.

Por que foi mesmo que eu fui embora? Eu já nem me lembro mais, teve aquela briga, teve aquele dia sem falar, teve um monte de trabalho - já naquela época eu não queria ir pra casa, mesmo ela estando cheia de coisas e de barulhos, mas lá não tinha a paz que eu tenho agora - apesar do eco. Tinha até gente na casa velha, digo antiga já.

Então eu decidi, dá mais uma, por favor? que horas fecha aqui? - eu prefiro o eco ao vazio. Então quando eu fico só na casa nova tem algum resto da casa velha, como se fosse ela ali, no canto, me dizendo, Você não vai conseguir me desamar assim, de um dia pro outro, mas é só um resto, porque não tem o cheiro, não tem a voz de verdade, não tem a gritaria, só tem o eco dos barulhos poucos que eu produzo, se tropeço no rasgo do tapete, se derrubo um nada no chão vazio.

É esta a medida do barulho: se na casa nova só tem silêncio e eco, tudo quanto é barulho grita no meu ouvido. Já vai fechar? Traz a saideira, então. Então, não, traz a conta.

O que eu queria era outro lugar pra parar antes de ir pra casa, porque lá só tem eco, não tem mais nada, e eu quero o barulho das pessoas, porque, numa inversão curiosa, coisa de bêbado que não quer ir pra casa - já antes eu não queria, era muito confusa a casa antiga - numa inversão curiosa, o bar é tão barulhento que eu acabo ficando em silêncio, é como se o eco se apagasse, os copos caem, as pessoas gargalham, as portas batem, a música toca alto - e aí não tem eco: é como se ela estivesse por perto.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Marcelo Rubens Paiva, Pappas Palace, Jair Naves e Mais Massa

*Marcelo Rubens Paiva já tinha, no fim de semana, emplacado um belo texto no Estadão impresso, sobre a Anisitia. Escreveu outro, no blog, tão bom quanto o primeiro. Recomendo a leitura: http://blog.estadao.com.br/blog/marcelorubenspaiva/?title=rever&more=1&c=1&tb=1&pb=1

* Tive a alegria de ver, em menos de sete dias, dois releases meus publicados na internet, sobre trabalhos que estão saindo agora e que prometem fazer barulho em 2010: um, sobre a banda Pappas Palace (leia o texto clicando aqui), de Julli Pop, Tatá Muniz e Rob Santos; outro, sobre o trabalho solo de Jair Naves (leia o texto clicando aqui). Vêm aí mais textos, sobre Nosotros, O Sonso e Saulo Duarte e a Unidade.

* Aliás, quinta-feira tem show dos Nosotros e dO Sonso, na Livraria da Esquina:



Serviço

Projeto Mais Massa - Temporada 2010 - 04 de fevereiro, quinta à noite
Nosotros e O Sonso na Livraria da Esquina
Rua do Bosque, 1254 - Estacionamento conveniado ao lado da casa. Clique aqui para ver o mapa
Abertura da casa: 22h. Primeiro show: 23h. Segundo show: 00h30
R$ 10,00 - Nome na lista: R$ 5,00 - garanta seu nome na lista enviando email para lista@maismassa.com.br