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terça-feira, 29 de junho de 2010

Trailer de Tropa de Elite 2



Tem que ver, né?

Projeto Mais Massa no Studio SP, hoje à noite

Pela primeira vez no palco do Studio SP, o Projeto Mais Massa apresenta as bandas O Sonso e Saulo Duarte e a Unidade.


Na noite do dia 29, O Sonso (http://www.myspace.com/osonso), de Fortaleza, apresenta ao público o primeiro CD, que será lançado com participações especiais de Tita Lima e Gérson Conrad (ex-Secos e Molhados), que também contribuíram na gravação do trabalho. O Sonso é Daniel Groove no vocais, Ju Frenkiel nos teclados, Luka Schwab na guitarra, Klaus Sena no baixo e Jorge Anzol na bateria.

Para fechar a noite, Saulo Duarte e a Unidade (http://www.myspace.com/sauloduarte) apresentam canções de arranjos e letras simples, sem rótulos: preocupam-se com a sinceridade da expressão musical e poética e com a consistência da proposta. Com Saulo Duarte, na voz e nas guitarras, Klaus Sena no baixo, João Leão nos teclados e Beto Gibbs na bateria.



Serviço
Mais Massa com O Sonso e Saulo Duarte e a Unidade
Lançamento do cd "O Sonso"
Terça-feira, 29 de junho
Studio SP - Rua Augusta, 591
Entrada: Até 23h gratuita, após 23h R$20,00 ou R$10,00 com lista (
www.studiosp.org/promolista.php)

Videocast no Festival Chico Pop, em Rio Branco (AC)



A correria hoje é grande, por causa do show do Mais Massa, por isso deixo para escrever um texto com as impressões do Acre nos próximos dias. Fica esse vídeo, pra quem não viu ainda.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Notícias de Rio Branco (AC)

Se alguém me dissesse,em 2007, que eu pisaria o Acre para ministrar uma oficina de criação poética na música, ao lado de Diogo Soares, dos Los Porongas, e de Daniel Groove, do Sonso, além de participar de um debate com eles dois, ao lado de Gerson Conrad, dos Secos e Molhados, e do Secretário de Cultura do Estado do Acre, Daniel Zen, se alguém me dissesse tudo isso, eu gargalharia. Contudo, está acontecendo.

Já passou da hora de eu dizer que odeio e temo andar de avião. Apesar de uma escala em Brasília, voei tranquilo: li um livro inteiro de citações de Fernando Henrique Cardoso, meia peça de Brecht, uma Folha de São Paulo e um Valor Econômico. Até dormi, creiam-me inclusive os céticos. É que fui me acostumando: nos últimos tempos, com os congressos acadêmicos e, agora, com os festivais de música, pegar avião virou obrigatoriedade. Trabalho no limite do possível, como terá dito mais de uma vez o sociólogo que deixei entrar na minha biblioteca - ainda sigo ressabiado, não serei serrista nem tucano, tranquilizem-se todos, ainda mais porque me chamaram de comunista nos últimos dias - e gostei. Mas confesso que aprendi com alguns textos do homem. No mais, Dependência e desenvolvimento me parece ser um clássico do pensamento brasileiro.

Embora tudo esteja relacionado, me deixem falar apenas de Rio Branco, cuja brisa em fervura me tomou o corpo e a consciência e me abraçou na forma de João Eduardo, dos Porongas, sorridente, me abrindo as portas do Acre, junto com Andréa, da Comunicação do festival. João foi um verdadeiro guia - mostrou-me os pontos de cultura, levou-me ao hotel e à Rádio Aldeia, em que gravei um teaser sobre a oficina e dei uma entrevista, ao vivo, para Aarão Prado, radialista e vocalista da banda Camundogs, que também vai tocar no festival, no sábado, dia em que O Sonso fecha a noite.

Na cidade, tudo exala arte, com detalhes que passam longe do concreto armado corporativo paulistano - talvez resultado de um governador cuja área de formação é a educação. Claro está que amo São Paulo. Mas Rio Branco, pela efervescência cultural, me deu a ideia de que o grande produto nacional brasileiro, para exportação e para consumo interno, talvez seja a cultura. Desenvolvo essa ideia mais tarde: hoje tenho mais uma entrevista na mesma rádio, em outro programa. E depois, Los Porongas no Rock Bar.

A proa, quando apruma, voa.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Música nova dos Los Porongas


Los Porongas acabam de disponibilizar uma canção nova pra download. Chama-se "Sangue Novo": http://www.losporongas.com.br/sanguenovo.html.

Sangue Novo
(Diogo Saores/João Eduardo/Márcio Magrão/Jorge Anzol)

É do concreto e não do além
O desconserto, o tempo só
Nem todo trato me convém
Ando calado e com vontade de querer
Parar tudo ao meu redor

O tanto certo é quanto tem
Se for discreto é bem melhor
Pior e muito é ficar sem
Contrariado na vontade de querer
Usar tudo ao meu redor

Não percebe o mal
Que a dormência atrai
E a ausência traz
Desconforto igual
Vai comprar o céu
Sem saber voar

Nem se importa mais
Haja tanto faz
Contra o que não tem
Grita por ninguém
Dorme além do bem
Ganha e fica sem
Não se satisfaz
Nem descansa em paz

Quem sabe um sangue novo hoje escorra por aqui…

Morto ele talvez repare
No porão de si e acabe
Desenhando algumas penas
Arcos, ares, outras cenas
Plano aberto prá voar
Nem se importa mais…

Talvez amanhã eu não esteja mais aqui
Amanhã talvez eu não esteja mais aqui

terça-feira, 22 de junho de 2010

domingo, 20 de junho de 2010

"Parceiros da Educação: aplaudir ou lamentar?"

Na Folha de hoje. Eu já disse aqui e repito: cada vez mais, acredito menos em escola.

SILVIA COLELLO

ESPECIAL PARA A FOLHA

Temos que aplaudir quando segmentos da sociedade se preocupam com a educação pública, comprometendo-se com formação integral dos alunos e, consequentemente, com fortalecimento da sociedade democrática.
É o caso do Parceiros da Educação, no qual empresários lidam com as dificuldades do ensino, investindo em quatro frentes: infraestrutura, gestão, desempenho pedagógico e integração da escola com a comunidade.
Se é verdade que contribui para a boa imagem das empresas, é igualmente verdadeiro que as maiores beneficiadas são as escolas. Os resultados são imediatos e muito significativos. Em sete meses de 2009, houve aproveitamento 34% maior dos alunos do ensino médio.
No fundamental, o índice aparentemente tímido de 8,9% na evolução geral das disciplinas incorpora o crescimento notável de 70% nas médias de língua portuguesa nas duas primeiras séries.
Dois fatores parecem explicar essa eficiência. Em primeiro lugar, as intervenções dos Parceiros da Educação, balizadas pelo diagnóstico da escola, costumam incidir sobre necessidades da instituição ou dos alunos.
Em segundo, a natureza das intervenções, que recentemente vem priorizando o apoio pedagógico, em especial, a formação do professor.
Embora não se desconsidere contribuições à infraestrutura, é na qualidade da prática de ensino que o investimento se faz mais significativo.
Independentemente dos méritos, o projeto suscita reflexões sobre a responsabilidade do Estado na garantia da educação básica. Embora não pretenda se configurar como uma medida assistencialista, não seria um modo de remediar o fracasso do poder público na promoção do ensino de qualidade?
Uma vez dependentes do setor privado, não estariam as escolas à mercê das iniciativas de boa vontade que podem ser canceladas ao final dos cinco anos previstos? Finalmente, resta lamentar pelas escolas que não tiveram este tipo de benefício: até quando vamos nos conformar com escolas pichadas, instalações precárias, desajustes administrativos e professores desmotivados?

SILVIA M. GASPARIAN COLELLO é docente da Faculdade de Educação da USP

Saramago e o futebol

Charge de hoje, na Folha.

sábado, 19 de junho de 2010

A Revista Veja

Toda vez que algum aluno, numa aula minha, começa uma frase com "Eu li na Veja que...", interrompo-o, dizendo que ele não precisa se expor tanto assim, ou que ele deveria parar com as drogas pesadas. Alguns entendem, outros não. O texto a seguir, postado pela amiga Ludmila no twitter, expressa bem o que é a Veja: http://colunistas.ig.com.br/copa2010flaviogomes/2010/06/19/563/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Para Mudar o Mundo

Cada vez mais fico convicto de que, para mudar o mundo, é preciso antes haver uma mudança subjetiva, em cada um dos homens - tarefa mais hercúlea do que a de mudar o mundo objetivo.

Cancelado: Visitantes e Seminal nas Noites do Bem de sábado

Devido a problemas de operação alheios à vontade da Identidade Musical e das bandas Visitantes e Seminal, a edição das Noites do Bem de Junho na Livraria da Esquina foi cancelada. Os shows serão realizados em um próximo e mais oportuno momento. Agradecemos aos que já tinha indicado a intenção de comparecer e queremos ressaltar que a luta pelo CICAS permanece.


A edição de junho das Noites do Bem terá duas atrações: as bandas Visitantes (http://www.myspace.com/visitantesbr) e Seminal (http://www.myspace.com/seminalsurubasplash), ambas de São Paulo.

Os Visitantes - Cardelli, Dods, Sabão e Thiaguim - têm origem em 2007, nas cinzas da Wasted Nation. "O primeiro rolê visitante é a tour 'Visitando o Interior Paulista'. Em 2008 a Visitantes explora Brasília e Porto Velho/RO, e segue fazendo shows em pequenas frestas paulistanas. Em 2009 a banda grava "Na brasa fugaz da cana queimando", primeiro registro oficial da banda, lançado em metal-pak. A tour do disco começa por MG e Campo Grande/MS, e vem alçando outros vôos por esse Brasil bonito". Abaixo, a divulgação de Na brasa fugaz da cana queimando, com a irreverência tradicional da banda:



No Myspace da banda Seminal lê-se o seguinte: "No final de 2002, após contato criptográfico com Antoine Canamara, surgia Seminal, o power trio de gênero musical “outros”, puxado no jazz-afro-punk de raíz. O pretexto inicial do encontro era a trilha sonora de uma animação, encomendada por um amigo. No meio deste processo, lançaram-se em fazer música atrás de música, algumas das quais respondendo por títulos sugestivos como “Jobim me Ama”, “Cúmplices em uma Coisa Bonita”, “Vem bolinar no meu Rendez-Vous” e “Quem foi que me chamou de Filha da Puta – Partes 2 e 3”.

As doações do evento ocorrerão em prol do CICAS, o Centro Independente de Cultura Alternativa e Social (http://projetocicas.blogspot.com/), que vem enfrentando problemas que já relatamos aqui.

Serviço
Noites do Bem com Visitantes e Seminal
Na Livraria da Esquina - Rua do Bosque, 1254, Barra Funda, São Paulo
Dia 19 de junho, a partir das 23h
Estacionamento no local
Entrada: R$ 15. Contribua com um brinquedo ou agasalho infantil e pague apenas R$10


Gostou da arte do flyer? É da Camila Conti: http://camiconti.wordpress.com/

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A jornada do herói e os filmes de Woody Allen

Recebi a programação abaixo, via email, do Professor Guilherme Kwasinski, alter-ego do Guilhermoso Wild Chicken (na foto, à direita).

A JORNADA DO HERÓI E OS FILMES DE WOODY ALLEN

Prof. GUILHERME KWASINSKI
Formado em Psicologia pela PUC-SP. Leciona cursos sobre Sonhos e também Mitologia Grega na Puc/Cogeae desde 1991. Professor de Storyteling na Academia Internacional de Cinema. Ator e cantor de Rock and Roll.

O escritor, e analista de roteiros, Christopher Vogler faz a seguinte observação em sua obra A Jornada do Escritor - Estruturas Míticas para os Contadores de Histórias e Roteiristas:

“Vamos nos guiar por uma idéia simples: todas as histórias consistem em alguns elementos estruturais comuns, encontrados universalmente em mitos, contos de fadas, sonhos e filmes. São conhecidos como a Jornada do Herói”.

Este comentário serve como ponto de partida do curso proposto: Utilizar o estudo da Jornada do Herói como base para o entendimento estrutural do roteiro cinematográfico.

Além de Vogler, Joseph Campbell e a escola Junguiana servirão de mentores para os nossos estudos. E, para exemplificar a Jornada do Herói, escolhemos três filmes do genial roteirista, ator e diretor, Woody Allen.

1ª AULA
- Apresentação da Jornada: Os Personagens e as Etapas.
- A Rosa Púrpura do Cairo – Os Heróis e seus Personagens Interiores.

2ª AULA
- Crimes e Pecados – Os Vilões e os Fracassados também são Heróis?

3ª AULA
- Vicky, Cristina, Barcelona – Os Heróis, suas Sombras e Contradições.
Obs: Os alunos devem assistir previamente aos filmes que serão trabalhados no curso.

Informações

Duração: 3 encontros
Datas: 16/06 – 23/06 – 30/06
Dia da semana: quarta-feira, das 19:30 às 21:30
Preço: R$ 125,00 na inscrição + 1 parcela de R$ 125,00
Local: Sede da Território Geográfico - Rua Iperoig 274, conjunto 3
Perdizes - São Paulo - SP
Fone: (11) 3862-5251
Visite o site da empresa www.territoriogeografico.com.br

domingo, 13 de junho de 2010

A ridícula trabalheira sobre-humana

A miséria não é condição das virtudes, meu amigo. Se a sua gente fosse abastada e feliz, aprenderia as virtudes da abastança e da felicidade. Hoje, a virtude dos exaustos nasce da terra exausta, mas eu sou contra. Meu caro, as minhas novas bombas d'água fazem mais milagre do que a sua ridícula trabalheira sobre-humana.

Bertolt Brecht, Vida de Galileu, Tradução de Roberto Schwarz, Abril Cultural, 1977.

sábado, 12 de junho de 2010

Segue o Projeto Mais Massa na Livraria da Esquina, com O Jardim das Horas e Gil Duarte e Sistema Asimov de Som

No dia 17 de junho, quinta-feira, a partir das 22h, na Livraria da Esquina (http://www.livrariadaesquina.com.br/), acontece mais uma edição do Projeto Mais Massa (www.maismassa.com.br), em que O Jardim das Horas (http://www.myspace.com/ojardimdashoras) recebem Gil Duarte e o Sistema Asimov de Som (http://www.myspace.com/gilduarte).

Serviço
Projeto Mais Massa – O Jardim das Horas e Gil Duarte e o Sistema Asimov de Som
17/06/2010 – a partir das 22h
Na Livraria da Esquina – Rua do Bosque, 1254
R$ 15 na porta
R$ 10 com nome na lista: lista@maismassa.com.br

Quero é viver



Uma das melhores canções que descobri na viagem a Portugal.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Brasil X Coréia do Norte, no Centro Cultural Rio verde, na Vila Madalena



O Centro Cultural Rio Verde ( http://www.centroculturalrioverde.com.br/site/) e a Identidade Musical convidam para assistirmos juntos ao primeiro jogo do Brasil e depois comemorarmos o resultado com o show da banda O Sonso (http://www.myspace.com/osonso).

Como toda Copa tem bolão, apresentamos o Bolão do Rio Verde: acesse o hot-site http://coparioverde.com.br/, clique em "Lista e Palpites" para cadastrar-se, entrar na lista do evento e pagar apenas R$ 10 de entrada. Se o seu palpite sobre o resultado do jogo estiver certo, você terá desconto de 15% no valor final de sua conta!

Serviço
Copa no Rio Verde: Brasil X Coréia do Norte
Depois do jogo, show da banda O Sonso
Dia 15 de junho, a partir das 14h
Centro Cultural Rio Verde
Rua Belmiro Braga, 119 - Vila Madalena, São Paulo
Entrada: R$ 15
Lista: R$ 10 - acesse o hot-site http://coparioverde.com.br/, inscreva-se na lista, dê seu palpite e concorra a 15% de desconto na sua conta

Cineclube Virtual Bandidos do Cine Xangai

Transcrevo a mensagem que recebi do amigo Marcelo Mendez:

Não temos tempo pra mais porra nenhuma e ainda assim inventamos mais moda que é pra fuder mesmo com o tempo que sobra da vida da gente... hahah. Mas é causa é nobre:


Eu (Marcelo) e meus comparsas Rubens K e Claudio Cox estamos lançando hoje o cineclube virtual BANDIDOS DO CINE XANGAI com a safada intenção de devolver ao CINEMA DE VERDADE (num é rede da playart de shopping, não; Tamo falando CINEMA de verdade mesmo...) tudo que dele foi tirado. Nesse espaço disponibilizaremos clássicos do cinema em todas as suas vertentes, em filmes COMPLETOS para serem ASSISTIDOS no blog, mantendo o recurso da opção de ver em tela cheia do seu computador caso assim prefiram. E como não temos downloading, não colocamos nada pra baixar, não poderão fazer nada conosco. Os direitos de exibição estão assegurados pelos servidores que hospedam o filme. Quer dizer; Estamos dentro da lei deles. Tão fodidos e vão ter que nos aguentar!!

Para estréia, escolhemos o mestre RUSS MEYER e seu documentário MONDO TOPLESS, com 64 minutos de duração. E o resto vcs vão lá saber no blog:

www.cinexagairkm.blogspot.com

Será um prazer recebê-los!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Terra Estrangeira



Quando Terra Estrangeira saiu no cinema, Arthur Scatolini Mentem e eu assistimos a esse filme semanalmente, durante um mês ou mais. Eram outros tempos: não sabíamos quanto tempo o filme levaria para sair em vídeo; não havia Youtube, a internet era uma abstração. Nem conhecíamos o famoso disco da Gal Costa, com a música de Macalé. Esperávamos os créditos, para ver qual era aquela música que nos fazia chorar e voltar ao Espaço Unibanco toda semana. O filme nos impressionava porque contava a história de nossa geração, arrasada economicamente pelos arrochos dos anos 80; pelo conservadorismo que parecia ter acabado, mas que grassava, ainda, no cotidiano; pela adolescência, que nunca foi fácil pra ninguém; pela expectativa frustrada da democracia, que acabou por eleger Collor, hoje senador, sem que alguém se choque ou se revolte.

Terra Estrangeira me fez pensar em Portugal como espaço mítico das minhas origens, pela primeira vez. Arthur e eu debatíamos cultura, literatura, teatro, cinema, filosofia, direito e comportamento com mais pretensão do que leitura, mas as lacunas e as inconsistências é que nos fizeram procurar a nós mesmos, como somos hoje. Tudo regado a cerveja, como não podia deixar de ser. E uma vontade louca de deixar tudo pra trás, sem dar certeza de que voltaríamos, com o carinho cheio de intensidade de uma companhia recém-conhecida.

A claridade do que é real

Nos últimos seis meses devo ter assistido a uns dez shows (ou mais) dO Jardim das Horas (http://www.myspace.com/ojardimdashoras), e não me canso de ouvir essa canção:



A receita de Machado de Assis



Se quisermos ser grosseiros, diremos que Machado de Assis dava voz, por meio de seus narradores, à classe dominante brasileira. A consequência, ao que me parece, é que, dando-lhe corda, ela se enforca sozinha. No vídeo acima, o diretor do filme Pro dia nascer feliz obteve o mesmo efeito.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O destrinchar do horóscopo

Para o mago, Tiago Barizon, que está fazendo as coisas acontecerem

Meu horóscopo de hoje, na Folha, dizia o seguinte: "Já que você está com tudo e não está prosa, que tal comemorar? Rara conjunção de titãs em seu signo abre portas, traz novidades e surpresas. Sua vida irá mudar nos próximos meses. Esteja preparado para iniciar mudanças importantes de alcance coletivo".

Destrinchando, quase que frase a frase:

* "está com tudo e não está prosa": como se pode observar nessa frase, virei Chacrinha, que dizia que quem não se comunica se trumbica (ou estrumbica, dependendo de quem cita Abelardo Barbosa; trata-se apenas de uma questão de parassíntese ou de derivação sufixal?, pergunto eu). Retomando: virei Chacrinha - isto é, um velhinho macunaímico, anárquico, falador e piadista, cercado de cantoras lindas e geniais, além de compositores talentosíssimos;

* "Rara conjunção de titãs": os tais titãs talvez sejam os mesmos compositores do item anterior. Dilei, Finlândia, Los Porongas, Maraca Manca, Mutualista, Nosotros, O Jardim das Horas, O Sonso, Pappas Palace, Saulo Duarte e a Unidade, Volver, Zeca Viana, com quem tenho trabalhado mais diretamente. Mas como o texto é exotérico e esotérico, admite mais de uma interpretação: os titãs são, na verdade, Montanha da Punksaravá, Barizon, Pardal e Daniel Groove, altos que só;

* "abre portas, traz novidades e surpresas": frase que se refere à conjunção de titãs. Aí a interpretação ganha densidade. Sou Chacrinha. Os titãs me abrem portas, à moda de Chacretes? Não, penso que não. É assim: os titãs me abrem as portas do bar - e da percepção, conseguintemente. Eu bebo. E quero trabalhar com todos eles, para ficar próximo. Aí proponho de fazermos coisas juntos. Como eles beberam também, acabam topando. As novidades e surpresas são os trabalhos deles, prova de que a arte reconstrói a vida: nas canções deles, mergulho nos significados profundos deste tempo;

* "Sua vida irá mudar nos próximos meses": é o momento da prospecção futura. O astrólogo leu meu destino e entendeu bem: nos próximos meses, vou trabalhar pra cacete, com todas aquelas pessoas;

* "Esteja preparado para iniciar mudanças importantes de alcance coletivo": é aqui que me fodo e me maravilho - meu alubramento. Todos os titãs que passam pelo programa do Chacrinha acabam se conhecendo nos camarins (se é que já não se conheciam) e querendo trabalhar juntos: é o alcance coletivo. Todos os titãs me abrem as portas, e eu, lisonjeado, convido-os para fazer churrascos. Eles fazem, e fazem mais músicas. O Chacrinha não aguenta, e comemora mais, com chacrinha. Todos se divertem. Todos compõem juntos. O Chacrinha, que parecia comandar o programa, sai de cena silenciosamente, porque na verdade nunca comandou nada. Ninguém lhe percebe o sumiço: é claro, pois o que tinha de acontecer aconteceu: as pessoas se encontraram.

Um singular objeto de análise



Vocês hão de concordar comigo: é divertido analisar as canções do António Variações para o doutorado.

Ricardim, do Porcas Borboletas

Oquei, todos já sabem que sou um puta fã dos Porcas Borboletas. O vídeo abaixo é do Ricardim - um dos talentos da banda em que todos são talentosos.



Saudades deles.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Para conhecer Tiago Barizon

No cotidiano, Tiago Barizon é sisudo - adjetivo que parece ter sido criado para ele, violando a arbitrariedade do signo linguístico -, o que leva a maioria das pessoas a chamá-lo bravo. Não é. É poeta virtual:

Eu não canso de ver o jeito como o João olha para o mundo como se fosse uma eterna novidade. É muito fácil se apaixonar pela inocência e ingenuidade de uma criança.

Chico Buarque por dez contos

O escritor e ex-colega de faculdade Ronaldo Bressane organizou coletânea com textos em que as canções de Chico Buarque assumem forma literária. Peguei a divulgação abaixo no blog dele.

Em Essa História Está Diferente (editora Companhia das Letras, idealização RT/Features), dez autores de estilos bem distintos recriam em ficção o cancioneiro do compositor carioca Chico Buarque. Na composição do time de autores, organizado pelo escritor e jornalista que vos bloga, a ideia foi universalizar o imaginário do autor de Budapeste e Leite derramado. Pelo caráter multifacetado, a obra do compositor de versos como “O meu pai era paulista/ Meu avô, pernambucano/ O meu bisavô, mineiro/ Meu tataravô, baiano/ Meu maestro soberano/ Foi Antonio Brasileiro” sintetiza o Brasil – e cada vez mais conquista o mundo. Os registros literários captados por esta antologia foram os mais díspares: alguns contos se baseiam fielmente nos “causos” musicados por Chico, outros os usam como trilha sonora, cenário, atmosfera, outros emprestam das canções a estrutura, e há aqueles que somente o utilizam como mote.

Entre os autores internacionais, o argentino Alan Pauls adaptou “Ela faz cinema” e a transformou na história de um pai zeloso que combina o ciúme pela mulher e pela filha com manias como ler num restaurante enquanto come; o mexicano Mario Bellatin inspirou-se em “Construção” para ambientar a narrativa de um homem que, numa consulta ao fisioterapeuta, escuta uma história bizarra envolvendo uma declamadora de versos e um papagaio; o moçambicano Mia Couto criou um conto romântico a partir de “Olhos nos olhos“; e o também argentino Rodrigo Fresán escolheu “Outros sonhos” para um conto-ensaio tecido sobre variações oníricas.

Entre os brasileiros, Carola Saavedra esmiúça em detalhes uma discussão de relacionamento em sua narrativa baseada em “Mil perdões“; André Sant’Anna preferiu “Brejo da cruz” para falar do presente e do futuro dos meninos de rua; Cadão Volpato parte de “Carioca” para tratar da história de amor entre um jovem intelectual e uma misteriosa garota que se hospeda em sua casa; João Gilberto Noll recriou “Vitrines” em registro de novela gótica, focando a relação obsessiva entre dois homens que se conhecem num shopping; Luis Fernando Verissimo cozinhou “Feijoada completa” em chave de comédia da vida privada; e, por fim, Xico Sá reescreveu “Folhetim” como um triângulo amoroso contado por um carioca desmemoriado que talvez tenha perdido a mulher numa Quarta-Feira de Cinzas.

Uma surpresa a cada virada de página. Com as canções de Chico na cabeça, o leitor vai se admirar com as inúmeras possibilidades narrativas que elas inspiram e com o inesgotável gênio criativo desses principais nomes da literatura contemporânea. Clique aqui para ler trechos em PDF.

Lançamento no Rio de Janeiro
A Caixa Cultural, a RT Features e a Companhia das Letras convidam para o lançamento do livro Essa história está diferente, com participação de André Sant’Anna, Cadão Volpato, Carola Saavedra, João Gilberto Noll e do organizador Ronaldo Bressane. Após a sessão de autógrafos, bate-papo com os autores. Segunda-feira, 7 de junho, às 18h. Caixa Cultural. Avenida Almirante Barroso, nº 25 – Centro. Telefone: (21) 2544-4080. Rio de Janeiro / RJ

Lançamento em São Paulo
Com participação de André Sant’Anna, Cadão Volpato, Carola Saavedra, João Gilberto Noll, Xico Sá e Ronaldo Bressane. Após a sessão de autógrafos, bate-papo com os autores. Terça-feira, 8 de junho, às 18h. Caixa Cultural São Paulo – Galeria Vitrine da Paulista. Av. Paulista, 2083 – Térreo – Conjunto Nacional. Telefone: (11) 3321-4400. São Paulo / SP

Lançamento em Brasília
Com participação de André Sant’Anna, Cadão Volpato, Carola Saavedra, João Gilberto Noll e do organizador Ronaldo Bressane. Após a sessão de autógrafos, bate-papo com os autores. Quarta-feira, 9 de junho, às 18h. CAIXA Cultural. SBS Qd. 4 Lote 3/4. Telefone: (61) 3206-9448. Brasília / DF

domingo, 6 de junho de 2010

Freud Além da Alma



Os maiores temores da alma humana estão nela própria.Mas hoje a pergunta é mais simples: estarei gripado apenas por causa do frio brutal de ontem?

Brecht e Galileu

Do ponto de vista do intérprete, a técnica brechtiana resume-se em criar um "estranhamento" do texto, bem como em impedir a adesão "ilusória" do espectador, a fim de que este possa conservar a lucidez crítica.

Brecht adulto se identifica com a imagem de Galileu Galilei, que despreza o intelectual desvitalizado e "as pessoas cujo cérebro é incapaz de lhes encher o estômago", cientista que aceita o compromisso da ordem para continuar vivendo, mas que, sob a máscara do conformismo, guarda intacta a chama e a paixão da verdade. Apesar do reconhecimento de uma moral condicionada, vê-se em Brecht, assim como na personagem de Galileu, a intransigência artística e o idealismo da busca permanente de um mundo melhor - embora envolto no manto de um absoluto distante.

Sábato Magaldi, O Texto no Teatro, Editora Perspectiva

Essa é pra acabar - Grupo Rumo



Mestre Tatit e seus asseclas põem ponto final.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Los Porongas quebram tudo



Quem esteve na Livraria da Esquina ontem teve a chance de assistir a um dos melhores shows dos Los Porongas em São Paulo. No vídeo uma das canções mais lindas dos Porongas.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O Poderoso Chefão, versão rock and roll



Eu queria tocar guitarra só pra tocar essa música. Quem já viu o filme sabe que, quando Slash está no auge do solo, é possível lembrar de Michael Corleone solitário, assassinando o próprio irmão, perdendo a esposa e a filha.

Poder serve pra muito pouco.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A eterna busca de si mesmo

Dias de Luta



Cada dia mais, essa canção e a análise que fiz dela me parecem fazer sentido. Republiquei no blog da Identidade Musical: http://identidademusical.com.br/blog/2010/06/02/eu-ainda-sou-o-filho/

Que os leitores relevem: foi das primeiras colunas que escrevi no Showlivre, ainda estava em processo de formação do estilo para textos de internet. Mas não mudo uma vírgula: embora seja um texto mal-escrito em alguns trechos, cheio de breguices e de exposições de minha vida pessoal, é também uma fotografia dos medos e das ilusões que eu tinha - e que saudades tenho deles e delas.

Estes são dias de luta.

Um poema brechtiano

O aluno Felipe Kachan me mandou o poema abaixo, que me soou a Brecht, numa edição que usei na turma dele, no ano passado.

Agonia e êxtase


Ouvi um barulho,
pareciam milhares de pessoas gritando palavras de ordem. Pensei,
É a revolução!
Resolvi pegar minha bandeira e ir à luta!
Mas eram apenas torcedores enfurecidos
rumo a mais um jogo de futebol.

Eu gosto dessa canção



Vai saber por quê. Mas eu gosto.