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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Jacob Gorender e o Combate nas Trevas

Ouvi falar de Jacob Gorender, pela primeira vez, nas aulas de literatura brasileira de Alfredo Bosi, que elogiou demais O Escravismo Colonial. Depois, Arthur Scatolini Mentem me indicou, para entender a história da esquerda brasileira, a obra Combate nas Trevas - A esquerda brasileira: das ilusões perdidas à Luta Armada, que li afoito demais. Agora, retomei-lhe a leitura - talvez porque seja ano de eleição, talvez porque eu mesmo precise tornar ao que fui, ou ao que sempre quis ser.

No fim deste post, deixo-lhes dois trechos: o primeiro a respeito da violência cometida pela esquerda nos Anos de Chumbo; o segundo sobre os mitos criados pela esquerda. Abaixo, um vídeo pra quem não o conhece:



Quem me acompanha na internet, sabe que votei no PT até à eleição de Lula - e que depois passei a anular o voto. A decepção com o partido em que eu acreditava não me deixa, entretanto, indiferente aos emails reacionários que recebo insistentemente, de várias pessoas, chamando Dilma Roussef de "terrorista" - em plena virada da primeira para a segunda década do século XXI. Falta, para alguns reaças travestidos de capa da Veja, a leitura de Gorender para entender que o Governo Lula e eventualmente o de Dilma nada mais são do que administrações que privilegiam - e muito - a classe dominante brasileira, apesar de algumas ações sociais. Pergunte aos acionistas majoritários de grandes bancos privados o que foi para eles o Governo Lula. Não, volto atrás: aos reaças, talvez falte leitura de qualquer outra coisa que não a Veja - até engulo Folha ou Estado. Sigo, até segunda ordem, votando nulo.

Mais: também me irritam os petistas insistentes do discurso do "nunca antes neste país" sem reconhecer as perdas e os equívocos experimentados nos últimos oito anos. Me desagrada o clima eufórico que parecemos estar vivendo - talvez a euforia seja sempre míope, excitada demais com o que a empolga, fantasiando demais, analisando pouco.

Impressionam a clareza e o ritmo de Gorender:

Se quiser compreendê-la [a violência] na perspectiva da sua história, a esquerda deve assumir a violência que praticou. O que em absoluto fundamenta a conclusão enganosa e vulgar de que houve violência de parte a parte e, uns pelos outros, as culpas se compensam. Nenhum dos lados julga pelo mesmo critério as duas violências - a do opressor e a do oprimido. É perda de tempo discutir sobre a responsabilidade de quem atirou primeiro. A violência original é a do opressor, porque inexiste opressão sem violência cotidiana incessante. A ditadura militar deu forma extremada à violência do opressor. A violência do oprimido veio como resposta.

O trecho abaixo, sobre os mitos da esquerda:

Chego aqui à questão do mito ou da liderança carismática ou do culto à personalidade, conforme preferem os soviéticos. A história do movimento comunista internacional está repleta da construção de mitos. Por enquanto, a racionalidade marxista tem sido impotente para refrear essa tendência ideológica milenar, cuja força espontânea impregna a consciência das massas trabalhadoras. O pior tem sido o estímulo sistemático de partidos comunistas e Estados socialistas à funcionalidade dos mitos. Porque, se facilita a condução das massas, o mito as deseduca do ponto de vista da formação da ideologia socialista e dificulta a correção dos erros das direções. A educação ideológica socialista é inseparável da vida democrática das organizações revolucionárias. Se a democracia não suprime os mitos, ao menos oferece condições para sua crítica.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Garimpo Mais Massa: Babi Jaques e Os Sicilianos, dia 05 de agosto, na Livraria da Esquina


Na primeira edição do Garimpo Mais Massa, a banda Babi Jaques e Os Sicilianos (http://www.myspace.com/babijaques) apresenta sua taverna musical: "trajados no melhor estilo Don Corleone, esses mafiosos trazem um show cheio de influências do blues e do rock. À frente do que podemos chamar de família siciliana, a forte voz da irmã caçula, Babi Jaques. Protegendo as costas da irmã menor, um competente power-trio faz a instrumentação da banda".



Serviço
Babi Jaques e Os Sicilianos no Garimpo Mais Massa
Dia 05/08/2010, quinta-feira, na Livraria da Esquina
Rua do Bosque, 1254 – Barra Funda, São Paulo
Estacionamento no local
Entrada: R$ 15 sem lista, R$ 10 na lista@maismassa.com.br

domingo, 25 de julho de 2010

"Desejado", Manacá



Cantiga de amigo à moda de rock. Estou escrevendo um texto sobre as canções dessa banda.

Tem dias (eu agora)

tem dias que eu quero mais cheiro de flor
e tem dias que eu quero dor.

tem dias que é melhor saber a verdade
mas tem dias que eu quero mentir o pouco
que nem sei.

tem dias em que quero acordar tarde
mas tem dias em que quero só trabalhar
pra esquecer.

tem uns dias em que mais vale uma cerveja
à noite
do que um depósito no banco
que não chega pras dívidas
que eu não vou pagar nunca.

tem dias em que eu quero as cores e as flores
de novo
mas nada recende, e fica a sensação
de vazio do dia, pior é a noite
que eu sei que vem.

tem dias em que não,
mas tem dias em que eu vou
e não quero saber se vai ou se tem,
mas que vai assim mesmo.

tem dias em que mais vale a cerveja,
jogar fora o tempo,
porque é falsa a hipótese da autoajuda,
mas que eu acato mesmo assim,
pra usar num outro dia,
em que talvez valha qualquer teoria
pra aquecer a cama.

e tem dias em que fico violento,
grito bravatas à toa,
esbanjo certeza,
transbordo status,
esbravejo primeiromundismo,
é mentira essa dia:
sou eu que fiquei exaltado de susto,
ansiolítico em baixa dose,
gratificação de um acerto qualquer do acaso.

e tem os dias das canções que me desconcertam
e fico surdo ao que não sejam as melodias
que me alteraram os sentidos
- e tudo fica difícil de aceitar.

e tem os dias em que os sonhos
arrombam o dia adentro
e surram o cotidiano abaixo
e me resta deixá-los escorrer pelo ralo
ou abandoná-los à própria sorte

mas piores são os dias em que vêm os mortos
e a manhã cheira a vida que eu tinha com os cadáveres
e a tarde cheira a flores dos dias em que velei todos eles
a à noite estamos todos putrefactos, eu e eles,
como se já passasse da hora.

e tem dias em que a morte não é mais lembrança:
é conhecida - e lá foram todos eles
e eu fiquei, eu que prometi
que iria em breve
e que presto contas a todos que esperavam
livrar-se deste meu peso pouco,
mas incômodo,
leve,
mas insuportável
- e presto contas.

tem dias em que acordo
e observo o céu
e há pouco ou mais nada
além de mim e dele.

tem dias.

Desigualdade social no Brasil

Publicado hoje na Folha, por Clóvis Rossi, sugestão do @zemaria_pstu, Twitter do Candidato Zé Maria, do PSTU, à presidência:

Vergonha pouca é bobagem

SÃO PAULO - A América Latina é a região mais desigual do mundo. O Brasil é o 9º colocado nesse desgraçado torneio da desigualdade, revela o Índice de Desenvolvimento Humano ajustado para a desigualdade, novo indicador do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Já seria motivo suficiente para sentir vergonha, mas o relatório oculta o pior: o tal índice de Gini, usado para medir a desigualdade, abarca apenas as diferenças entre salários, que, de fato, vêm caindo no Brasil nos últimos anos.

Não é preciso ter PhD em Harvard para saber que a desigualdade mais obscena não é entre assalariados, mas entre renda do capital e renda do trabalho.

Claudio Dedecca, professor do Instituto de Economia da Unicamp, chegou a apontar um eventual aumento nessa desigualdade, a partir da informação de que, "nas pesquisas que apontam queda da desigualdade, só entram os ganhos salariais e com a rede de proteção social, como o Bolsa Família e a aposentadoria".

"Tais números equivalem apenas a 40% do PIB, já que os pesquisadores não têm acesso à renda com ganho de capital das classes A e B".

Dois dados dão razão a Dedecca: estudo de três agências da ONU mostraram que "juros, aluguéis e lucros foram os itens da renda brasileira que mais cresceram desde a última década, superando o rendimento dos trabalhadores".

Dado número dois: a transferência de renda para 12,6 milhões de famílias pobres custa anualmente R$ 13,1 bilhões. Já a transferência de renda para os mais ricos, na forma de juros pelos títulos públicos, foi, no ano passado, de R$ 380 bilhões. Ou seja, vai 30 vezes mais dinheiro público para um punhado de famílias (quantas? 2 milhões, 3 milhões talvez) do que para 12,6 milhões de pobres.

Mesmo assim, faz-se ensurdecedor silêncio a respeito.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Histórias Imaginárias Para Pessoas Reais, de Camila Conti


Quem acompanhou os trabalhos recentes da Identidade Musical sabe que ele não teria a qualidade visual que tem se não fossem as criações de Camila Conti, que acaba de criar o projeto Histórias Imaginárias Para Pessoas Reais, cuja descrição segue abaixo:

Estou começando um projeto chamado Histórias Imaginárias Para Pessoas Reais onde a ideia é criar pequenas histórias fictícias sobre pessoas comuns, ilustradas por sua foto 3X4.

Como este será um trabalho colaborativo, eu conto com a ajuda de quem estiver disposto a doar sua foto. O processo é simples: você escolhe uma foto 3X4 sua e faz uma autorização de uso de imagem escrita de próprio punho dizendo que você permite o uso da foto para esse projeto [e somente para ele] sem nenhum ônus. Importante: na autorização, é necessário seu nome completo, RG e sua assinatura. Escaneie e mande tudo por e-mail para camiconti@gmail.com.

Todos que participarem terão seus nomes divulgados e serão informados sobre tudo o que acontecer referente ao projeto.

Conto com a ajuda de todos que se identificarem com a proposta. E pra quem quiser divulgar no Twitter, o permanent link deste post é este aqui: http://migre.me/ZqDg .

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Nação Zumbi toca Beatles

Vídeo precioso.

Pappas Palace estréia clipe na MTV



Assistam ao clipe Pappas Palace, com a canção "Vermelhas", que tem estreia marcada para 25 de julho, domingo, no programa Lab Br, da MTV. Vai rolar às 10h30 da manhã, com reprise às 2h30 da madrugada.
Quem gostar, pode pedir bis no site da MTV, no link a seguir: http://mtv.uol.com.br/top10/

Ouça a canção no perfil do Pappas Palace: www.oinovosom.com.br/pappaspalace. Abaixo, a orientação sobre como votar na banda:

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Abrigo da Identidade Musical: Unidade Imaginária e Transmissor


A Identidade Musical apresenta ao público paulistano a banda carioca Unidade Imaginária (http://www.myspace.com/unidadeimaginaria) e a mineira Transmissor (http://www.myspace.com/transmissor), na nova festa da Livraria da Esquina, o Abrigo.


Serviço

Abrigo da Identidade Musical
Unidade Imaginária (RJ) e Transmissor (MG) na Livraria da Esquina
Dia 31 de julho, sábado, a partir das 23h
Rua do Bosque, 1236 - Barra Funda, São Paulo
Estacionamento no local
Entrada: R$ 15 na porta, R$ 10 na lista (abrigo@identidademusical.com.br)

Apoio: Hotel Estação Paraíso (http://www.hotelestacaoparaiso.com.br/)
Arte do Flyer: Camila Conti (http://camiconti.wordpress.com/)

sábado, 17 de julho de 2010

Rudgero Barata, uma intuição machado-kafkiana


O jovem Machado de Assis e Franz Kafka intuíram a inexistência de um mesmo barata, calado, obscuro, pontual, que enfadava o mundo com mediocridade prática e desejo teórico de ser poeta e escritor

Tive sonhos inquietantes, mas ainda não acordei transformado em gigantesco inseto. Aí postei isso no Facebook e, graças ao André dos Nosotros, percebi aquela que talvez seja uma das maiores intuições machado-kafkianas: o Professor Barata:

Que querias tu, afinal, meu velho mestre de primeiras letras? Lição de cor e compostura na aula; nada mais, nada menos do que quer a vida, que é das últimas letras; com a diferença que tu, se me metias medo, nunca me meteste zanga. Vejo-te ainda agora entrar na sala, jaqueta de couro preto, camiseta de banda, capote, lenço na mão, cabeleira à mostra, barba rapada; vejo-te sentar, bufar, grunhir, absorver uma golada imensa de café, e chamar-nos depois à lição. E fizeste isto durante vinte e três anos, calado, obscuro, pontual, metido numa casinha da Rua do Piolho, sem enfadar o mundo com a tua mediocridade, até que um dia deste o grande mergulho nas trevas, e ninguém te chorou, salvo um preto velho, — ninguém, nem eu, que te devo os rudimentos da escrita.

Chamava-se Rudgero o mestre; quero escrever-lhe o nome todo nesta página: Rudgero Barata, — um nome funesto, que servia aos meninos de eterno mote a chufas. Um de nós, o Quincas Borba, esse então era cruel com o pobre homem. Duas, três vezes por semana, havia de lhe deixar na algibeira das calças, — umas largas calças de enfiar —, ou na gaveta da mesa, ou ao pé do tinteiro, uma barata morta. Se ele a encontrava ainda nas horas da aula, dava um pulo, circulava os olhos chamejantes, dizia-nos os últimos nomes: éramos sevandijas, playboys, capadócios, malcriados, moleques.

O fragmento é todo de Machado de Assis, salvo para leitores desconfiados, que consultarão o livro à cata de algum erro meu de digitação. E deve haver mesmo algum equívoco. Não, volto atrás: não há equívoco nenhum. Consultei, voltei às Memórias Póstumas e concluí que o trecho é exatamente esse que vai transcrito acima.

O homo-plasticus da Zeca Viana

"Látex, Botox, Xerox, Silicone Sensual"

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Uma questão de fé

Quando eu nasci, um anjo torto veio me chamar de introspectivo, sisudo - e assim fiquei. Era mais cômodo me esconder nos cantos, não falar, mergulhar nos paraísos artificiais de um vício qualquer que fosse. Mas não acreditei que aquele anjo era anjo - nunca foi, não, não é, não há destino.

Pouco a pouco, fui perdendo toda fé que se poderia ter fundado em mim: acreditava em deus e nos espíritos, mas as demonstrações científicas e o materialismo histórico me revelaram que não, que os espíritos eram uma questão de projeções mentais poderosíssimas, a metempsicose era um desvio, deus não havia, o que há é a luta de classes.

Aceitei, naturalmente, porque me parecia razoável do ponto de vista racional, além de ser positivamente demonstrável. Desviei minhas crenças, então, para o valores universais: a liberdade e a solidariedade, sobretudo. Mas liberdade absoluta quase não há, e quando há fere a solidariedade - todos os sujeitos absolutamente livres que conheci não se importaram comigo, fizeram-me a amizade descartável, as mulheres libérrimas me abandonaram sem nem dizer por quê. A solidariedade, quando havia, estava recoberta da culpa crsitã que eu decidira, já há um bom tempo, não carregar comigo. Além disso, nossas práticas sociais se aproveitam dos solidários, espécie de bobos da corte, pregadores no deserto, dos que oferecem pérolas aos porcos: aproveitar-se dos solidários é bom negócio.

Era isto, afinal: eu escolhera os valores errados. O amor, sim, era este o valor a escolher, era ele que poderia nortear minha vida, fé no amor. Mas percebi que o amor real, o amor concreto, do cotidiano, passa longe dos amores bíblicos, de devoção e entrega total, ou dos amores românticos, predestinados e incansáveis, ou o de Vinícius, intenso e eterno. Não, amor na vida real é insistência, aceitação, tolerância. Percebi que o amor real, embora recompensador, era mais humano, por isso era mais chão.

Não creio em Deus, porque ele não há, ou mataram-no; não há anjos que me guardem; os homens decepcionaram-me: os de esquerda, que se dizem libertários, são sectários; os de direita parecem-me sempre totalitários enrustidos de livre mercado; a liberdade total não vê além de si mesma, parece-me autista; toda solidariedade me parece aprisionadora demais, porque acostuma mal;o amor é chão, porque exige esforço, dedicação - haverá tanto amor?

Dediquei-me aos remédios antidepressivos - eles seriam a panacéia de meu vazio. Mas só me fizeram perder mais a cor, a tornar-me indiferente a ponto de não ter pensamentos suicidas, porque não acredito em nada.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Faith no More



Do tempo em que Tiago Barizon e eu frequentávamos o Cartoon Bar and Roll.

Machado de Assis: Um Mestre na Periferia do Capitalismo

Nos três vídeos abaixo, filme sobre Machado de Assis com participação de grande nomes da crítica literária:





Show Coletivo do Projeto Mais Massa, dia 15/07, na Livraria da Esquina

Diversos integrantes das cinco bandas que compõem o Projeto Mais Massa (www.maismassa.com.br) apresentam releituras de suas canções, de clássicos da música brasileira e composições coletivas, criadas a partir do convívio na cidade de São Paulo.

No vídeo abaixo, um dos momentos mais marcantes do Projeto, em novembro de 2009, no encerramento da primeira temporada do Mais Massa na Livraria da Esquina:



Serviço
Show coletivo do Projeto Mais Massa na Livraria da Esquina
Dia 15/07/2010, quinta-feira, na Livraria da Esquina
Rua do Bosque, 1254 - Barra Funda, São Paulo
Estacionamento no local
Entrada: R$ 15 sem lista, R$ 10 na lista@maismassa.com.br

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A história recente do capitalismo



Acabo de assistir ao filme acima. Quer saber? Falta no Brasil um cineasta como Michael Moore. Sonho em, um dia, recebê-lo por aqui, para contar-lhe as consequências que as políticas americanas têm no Brasil.

As jóias da coroa

Todos esperavam ansiosamente pela morte da avó Pietra para herdar-lhe as jóias. Ninguém o declarava assim, de forma tão clara, evidentemente: as expectativas vinham soltas, desarticuladas, em almoços de família e conversas rápidas ao telefone:

- A vovó já disse com quem vai deixar as jóias?

Ou era:

- Esse anel é meu, hein vó? A senhora me prometeu quando eu tinha dez anos, porque sou a neta mais velha.

Mas os netos eram tantos, e o desconhecimento a respeito do patrimônio da velha era tal, que os desentendimentos começaram a aparecer:

- Mais fácil vender tudo quando ela morrer, e partilhar o dinheiro depois, informalmente. Questões de inventário - ponderava o neto macho mais velho, advogado formado na São Francisco, um dos orgulhos da avó, especializado em questões de grandes heranças, cuja foto até já saíra no Valor Econômico - o que lhe rendera promessa da avó, a de que lhe daria o anel de rubi do avô, também formado em direito no Largo.

Mas a gravidade e a abnegação do neto mais velho fugiam ao apego sentimental de outros netos pelas jóias. Havia histórias desencontradas, supostas promessas que a velha fizer antes da senilidade. Um dos netos mais jovens, líder de uma banda de happy-rock, queria alguns anéis para enfeitar-se nos shows, e garantia que a avó lhe jurara pelo menos duas das peças mais caras de um dos relicários; entre as meninas, além da neta mais velha, todas reivindicavam um colar, uma pulseira, um par de brincos: pelo aniversário de quinze anos, pela perda da virgindade, secretamente confessada à avó, pelo ingresso na faculdade - tudo era motivo para afirmar que a avó guardara uma pedra rara e cara a um dos netos. Por vezes, o objeto prometido a diferentes netos era o mesmo, daí a confusão.

Nos almoços de família, aos domingos, todos se encontravam no Bexiga, bairro em que a avó nascera, e onde criara os cinco filhos. Dois deles haviam estudado na faculdade do lado de cá do Túnel da Nove de Julho, para depois a família atravessá-lo, rumo aos Jardins, onde a velha ainda morava, num apartamento espaçoso na Alameda Casa Branca. Em alguma das cantinas do bairro, os netos se desdobravam em mesuras à avó, disputando-lhe a atenção e os carinhos, cada vez mais escassos, pois a matriarca, que sempre fora italiana barulhenta, ficava cada vez mais calada, os olhos arregalados, cheios de vazio, como que surpresos por algum flash exagerado de câmera. Os filhos dela, pais dos netos, pouco se preocupavam com a herança das jóias: além de não dependerem dos bens da mãe para viver, porque cada um deles adotara uma carreira, eram dois administradores de empresas, como já sabemos, um professor universitário, uma advogada e uma dentista, deus abençoe esta família tão brilhante, cada um dos filhos preocupava-se mais com pedaços maiores da herança, os imóveis e as ações que o pai deixara com ela, por isso é que valia a pena brigar. Frente a toda confusão, a velha comia protocolarmente a lasanha do Roperto, brigando com os netos que falavam palavrão, ou bradando contra alguma personagem de novela, era uma putana aquela, um golpista o outro, se seu marido fosse vivo dava um tiro na TV e acabou-se aquela sem-vergonhice, o homem era bravo. Submissos, os netos calavam-se e consentiam aqueles arroubos sem sentido, afinal era melhor não discordar: uma frase errada e poderiam perder a pequena porção que lhes cabia daquele latifúndio de pedras preciosas.

Eis que chegou o dia esperado por todos: a falência múltipla dos órgãos levou embora a velha. Todos choravam-lhe a morte, era tão forte a velha!, como é que poderia ir tão cedo? A nota de falecimento publicada na Folha, no Estado e na Veja foi assinada pelo filho professor universitário, cabia-lhe tal função, já que era bom com as palavras. A morte teve alguma repercussão, já que o avô, além de advogado, fora depois industrial renomado, que só perdera as influências depois da década de noventa. Quando as câmeras do SPTV chegaram ao velório, no Cemitério da Consolação, os netos brigaram para posicionar-se melhor, caprichando nas lágrimas e nos depoimentos emocionados, ela fora uma avó carinhosa e cuidadosa, que deixava a vida como vivera, isto é, cuidando sempre dos seus. Mas toda a comoção por alguns segundos na TV foi superada pela surpresa que o corpo deu a todos os presentes, num átimo.

Os dedos da nona, decorados por alguns dos anéis mais valiosos de sua coleção, tomavam uma cor diferente: ficavam dourados, como se algum processo de oxidação do metal contaminasse a carne morta. E em poucos instantes, toda a velha tomava forma de estátua lapidada em ouro e prata, ganhando novas cores, como se tivesse sido esculpida por um Michelângelo invisível, assexuado. Ninguém se atreveu a dizer uma só palavra que fosse, os repórteres felizes por terem um furo jornalístico nas mãos, os filhos estupefactos por não entenderem do que se tratava, mas por saberem que daria mais trabalho, os netos por imaginarem o valor que aquela pedra maciça teria, eram quilos de ouro puro certamente, que garantiria o dinheiro que cada um deles precisava, um compraria uma casa na Ilhabela, outro investiria na abertura da empresa, outro em ações e poupança, porque trabalhar não estava com nada, outra no look para ser uma das meninas desejadas na faculdade.

Devido ao inusitado do caso , a velha que se tornou estátua ganhou repercussão nacional. Alguns amigos da família opinavam que, em vez de ser enterrada, a velha deveria tornar-se a própria lápide, decorando o jazigo da família - mas não foram ouvidos, porque em questões de foro tão íntimo, quem deve decidir o que fazer com o corpo, se não fosse com a estátua, eram os que mais estavam ligados a ela por laços subjetivos profundos; especialistas sugeriram que a estátua fosse doada à Faculdade de Medicina da USP, que poderia fazer a autópsia e verificar que mutações haviam ocorrido com a carne, se não fosse com o mineral, contribuindo assim para a pesquisa mundial - mas a briga foi grande, porque os físicos e químicos da mesma universidade afirmavam que se tratava de objeto de pesquisa deles, e não de médicos, na exata medida em que não havia mais corpo, mas matéria. Desse ponto de vista discordavam padres, pais de santo, mães de santo, bispos, cardecistas, e toda a sorte de religiosos que se pode imaginar, até monges budistas e esotéricos em geral: era necessário investigar o que ocorrera com a alma da velha, já que seu corpo se solidificara em matéria nobre, talvez o mesmo tivesse ocorrido com a alma, daí o desejo da Igreja Católica, que a velha frequentava, de dar início, no Vaticano, ao processo de canonização de Pietra - mas que perdeu força, porque em pouco tempo vieram à tona nos jornais as consultas obscuras que a avó fazia a centros espíritas, terreiros de umbanda e cartomantes, além de ler o horóscopo diariamente.

A decisão da família foi unânime: que fosse vendida a estátua a um investidor internacional, colecionador secreto de peças raras de arte, tão rico que agora investia apenas em objetos artísticos, por meio de um marchant, seu enviado da Europa. A cifra obtida com a venda, jamais divulgada publicamente, satisfez a todos os netos, que doaram as pequenas jóias, agora desimportantes e de valor irrisório, a instituições de caridade e sustentabilidade. Essa atitude verdadeiramente cristã fez arrefecerem as polêmicas intermináveis na imprensa e garantiu a sobrevida da celebridade que a família obteve na época do velório. Com os mesmos olhos de vazio de seus últimos dias, a velha decora uma coleção particular de arte exótica sul-americana. Pietra tornou-se, na placa que a identifica, "Pietá sem a criança", de autor desconhecido.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Visitantes na Fnac



Acima, o vídeo de divulgação do show dos Visitantes (http://www.myspace.com/visitantesbr) na FNAC dia 15 /07/2010. Imagens da gravação do programa música de bolso.
Apareçam todos na FNAC!!!!
Esses caras só aprontam!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sons que vêm do Acre: Mapinguari Blues

No vídeo, a banda Mapinguari Blues toca ao vivo na Rádio Aldeia. As imagens me dão saudades do estúdio onde passei horas boas, na passagem que tive pelo Acre na semana passada. Conheça outras canções da banda no link a seguir: http://www.myspace.com/mapinguariblues

domingo, 4 de julho de 2010

Das relações entre vida e obra

Abaixo, fragmento da entrevista dada por Alex Castro, do qual tenho ficado cada vez mais fã, ao Digestivo Cultural. Leia a entrevista completa clicando aqui.

Olha, meus demônios eu exorcizo na terapia. Eu já me conheço, não preciso usar ficção pra isso. Para mim, literatura é para criar gente, pra eu entrar na cabeça de outras pessoas, pra eu tentar criar empatia com esses personagens tão diferentes de mim, para eu tentar descobrir como essas pessoas reagiriam a determinadas situações. Se for pra falar de mim mesmo, qual é a graça? Eu já sei quem eu sou. Eu já sei o que eu faria. Melhor escrever não-ficção.

Então, não: meu trabalho, além de não ser autobiográfico, é anti-autobiográfico. Às vezes, só o fato de um personagem ser parecido comigo já me corta o tesão. Meu romance, Mulher de um homem só, ficou parado por muito tempo, porque ele deveria logicamente ser escrito do ponto de vista do Murilo ou da Júlia, que são personagens um pouco parecidos comigo. E eu nunca começava o romance porque, bem, eu já conhecia esses personagens, não tinha interesse em mergulhar neles, faltava tesão. Só quando uma amiga me sugeriu que o romance fosse narrado pela esposa é que a coisa deslanchou. Eu não sabia quem era aquela mulher, ela não tinha um grande papel na trama, ela não era nada parecida comigo. Escrevi Mulher de um homem só, então, para conhecer a Carla, para saber que tipo de pessoa ela era, para compreender por que ela fez as coisas que fez e aturou as coisas que aturou.

E, por outro lado, claro, toda literatura é autobiográfica, de certo modo, porque a matéria-prima da literatura é a vida. O escritor rouba pedaços de vida de todo mundo que ele conhece, e mais ainda de si mesmo. Então, todos os personagens de um escritor são repletos de coisinhas dele, de coisas que aconteceram com ele, de manias que ele tem ““ mas também das coisinhas e manias dos seus amigos e parentes. Então, apesar dos meus personagens terem várias experiências em comum comigo ou com pessoas que conheço, eles não são nem eu nem essas pessoas. Se não achasse que são indivíduos independentes, nem teria mostrado o texto pra ninguém, aliás.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A lógica da perna que não quebrou (há algo de repressivo no reino do futebol)

O Tiago Barizon, meu amigo, sócio e parceiro de bons e maus momentos de música independente, postou no Facebook uma reportagem do Globo a respeito da agressão que o cônsul holandês sofreu no Rio de Janeiro, depois do jogo do Brasil: http://oglobo.globo.com/esportes/copa2010/mat/2010/07/02/morteiro-atinge-consul-holandes-em-hotel-no-leme-917045522.asp

Não me impressiona, embora eu lamente, uma notícia dessas. Eu mesmo, hoje à tarde, fui vítima de duas ocorrências similares, que felizmente não tiveram consequências. Depois do jogo do Uruguai com Gana, achei que já era hora de sair com meus cães: talvez as pessoas já tivessem esquecido o jogo do Brasil.

(Que fique claro: não odeio futebol, nem quero que as pessoas o odeiem. Só acho que o desvario que toma as torcidas a cada partida é um perigo; que o fanatismo dos torcedores, de qualquer classe social e de qualquer país, parece uma espécie de sintoma maléfico e assustador dos males todos da sociedade, arrisco dizer da humanidade; que me odiarem porque eu repudio as manifestações exageradas dos torcedores parece ainda uma forma de repressão que permanece e que ganha matizes especiais por aqui).

Saí com os cães e, na entrada de carros do Pão de Açúcar, supermercado de gente rica, e supostamente bem-educada e bem-informada, quase fui atropelado, enquanto trafegava pela calçada, por um motorista que conduzia machamente uma land-rover, carro de luxo. Ele esbravejou-me que saísse do meio do caminho. Para minha sorte, tenho exercitado a paciência, tomado remédios e feito terapias que me ajudaram a ser mais tolerante, além de aguçar meu instinto de sobrevivência: terá o motorista furibundo se embriagado de uísque importado, ao longo de toda a tarde, com os amigos, depois da derrota da "nossa" seleção? Terá ele a vontade de descontar em mim todo o ódio por não poder "beijar a camisa" e gritar "sou brasileiro"? Melhor não dar sopa para o azar, não dizer nada e passar quieto, rabo no meio das pernas, meus cães e eu, mais eu do que eles, porque sei do que brasileiros que perdem oitavas-de-final são capazes.

Na praça em que passeio com os cães, havia pouca gente: era minha esperança de sossego. Mas logo que cheguei, dois garotos nitidamente mal-vestidos, mas não miseráveis, olharam-me com cara de poucos amigos. Debatiam futebol, claramente. Não os encarei e passei longe. Em vão: eles arremessaram um morteiro a meia distância entre mim e eles. E gargalharam. Os cachorros evidentemente se assustaram, eu mais ainda. Saímos dali rapidamente.

Quando voltei para casa, farto de ser indiferente ao futebol, assisti à declaração do jogador que foi expulso do jogo do Brasil. Como é o nome dele mesmo? Não sei. Mas a declaração me impressionou: ele justificava sua agressão ao atleta holandês argumentando que ela não fora tão violenta, afinal a perna do opositor não estava quebrada. Nesse momento, lembrei-me de que, ao tentar atravessar a avenida com meus cães, vários motoqueiros e motoristas atravessaram o farol vermelho para eles, mas que estava aberto para pedestres.

Ora, justificar que a entrada não foi violenta, porque a perna do adversário não estava quebrada tem a mesma lógica que dizer que o atropelamento não foi violento, porque o pedestre não morreu; que o morteiro barulhento não machuca, por isso pode ser jogado onde quer que seja; que o morteiro arremessado não matou, por isso não é tão violento assim; que a paradinha de carro na frente minha garagem não prejudica ninguém, afinal ninguém saiu da vaga naquela hora; que a cola na prova é inofensiva, porque o professor não viu; que se pode estuprar, mas que matar é exagero. E por aí vai esta nossa lógica tão peculiar.

E me pergunto: que tenho eu com isso tudo? Nada. Não acompanho futebol, mas respeito quem acompanha - e vivo ouvindo que quem não curte futebol não é brasileiro. Não solto fogos em nenhuma data, mas aturo os fogos de todo o mundo: os dos jogos, os do Ano-Novo, os de festas juninas, os fogos sem motivo, pois há quem os solte por mera curtição - e tenho de ouvir que sou estressado demais, "é festa, pô, o futebol é a paixão nacional".

Haja saco pra uma lógica como essa e pra pessoas debatendo futebol em bares, restaurantes e canais de tv. Imagina como vai ficar a cidade de São Paulo, em 2014 - imagine o trânsito, a barulheira, a confusão. Há algo de repressivo em tudo isso, há algo de errado em construir um estádio numa cidade que tem Pacaembu e Morumbi: eu não escolhi nada disso.

O Brasil perdeu e eu perdi

A cada quatro anos, quando o Brasil perde, é sempre a mesma coisa: os narradores hesitam quando a seleção adversária faz gol; os jogadores perdem o controle emocional, alguns chegam até a chorar copiosamente; as câmeras de TV registram torcedores emocionados e furibundos, crianças chorando ou com o olhar vazio. Mas não se incomode, torcida brasileira:

* Os narradores brasileiros, das nossas emissoras, que hesitaram quando a torcida adversária fez gol, de certa forma, talvez estejam bastante aliviados com a derrota. Imagine, leitor, que você foi à África do Sul, a trabalho, pela imprensa. Com a ausência da seleção brasileira, provavelmente, o trabalho cairá cerca de 50%, bem como a expectativa e a ansiedade. Agora é só narrar protocolarmente os jogos das torcidas adversárias, sem gastar muito a voz, sob a orientação de um fonoaudiólogo, já pensando no próximo evento. Não se esqueça o leitor: nossos narradores gritam Gol! sempre da mesma forma, seja para a seleção brasileira, seja para qualquer outra. Lembre-se: a narração tem de ser "empolgante" e supostamente "imparcial" - é o que posso concluir de alguém gritanto Gol! da mesma forma, tenha marcado o tento o Brasil ou o XV de Piracicaba;

* Os jogadores brasileiros, neste exato momento, uma hora e pouco depois do encerramento da partida, certamente já esfriaram a cabeça e devem estar pensando em suas carreiras pessoais. É o que eu faria, pelo menos. "Será que ter chegado às quartas foi suficiente para eu ganhar mais visibilidade e para o valor de meu passe aumentar?" deve ser frase que ninguém diz, mas que todo mundo pensa. "Vou decorar o Hino Nacional Brasileiro, para poder ter mais popularidade entre o público" deve ser outra. "Rapaz, onde é o boteco desta cidade?": essa eu também pensaria. "Rapaz, onde é o templo mais próximo?": essa eu jamais pensaria. De forma geral, é o seguinte: "ainda bem que não fui eu quem me contundi e que o valor do meu passe no mercado deve ter subido";

* Sobre os torcedores emocionados ou furibundos, não preciso escrever uma linha: o jogo vai acabar e, como todos eles devem ter bolsos bem cheios de dinheiro para gastar nessa viagem internacional, o máximo que vai acontecer é todos se embriagarem de vinho sul-africano, que é bom. Amanhã, os adultos vão às compras, a algum outro jogo ou a um safári, afinal não é todo dia que se vai à África; os mais jovens vão cair na noite, conhecer gringos, trocar emails e perfis no Facebook. O fetiche final é catar um holandês ou holandesa. Como ninguém é de ferro, na volta, a passagem pelo free shop vai ser especial;

* Sobre as crianças, coitadas delas, chorosas ou de olhar vazio, digo ao leitor que são as mais sábias e menos apegadas - já no próprio estádio devem estar pedindo aos pais alguma outra distração, porque, afinal, o jogo acabou. Jogar bola, ir a algum parque, ver um leão ou girafa, tudo vale. Lembremos: trata-se de crianças filhas dos endinheirados que vão às Copas. O olhar vazio diz "Quero mais um presente".

Ainda não falei de mim: o que eu gosto mesmo em Copas são as folgas, no meio do trabalho, no meio da semana, que a gente tem. Torço sempre, não pelo Brasil, mas para que a sede da Copa seja em um lugar cujo fuso faça que os jogos rolem aqui no horário da tarde, pra podermos enforcar o emprego naquele dia. Torço para que o Brasil chegue à final, para termos ao menos sete dias com boas folgas. Fora o feriado do dia seguinte à final, quando o Brasil ganha. Perder a folga: isso é motivo de tristeza!

Angeli, sempre genial

Pessoas que eu quero ao meu lado

A melhor coisa de se mostrar é se livrar daquelas pessoas que nunca foram realmente suas, aquelas pessoas que amam mais seus próprios preconceitos do que você, aquelas pessoas que, por força das convenções vigentes, simplesmente não vão mais conseguir te amar se souberem quem você realmente é. Deixe elas seguirem viagem. Quem se importa com elas?

Eu tento me concentrar em quem vale a pena.

Alex Castro, no blog Liberal, Libertário, Libertino. Acabo de comprar um livro dele: vou ler e conto aqui as impressões.