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domingo, 29 de agosto de 2010

El Paso e Catrac no Livraria da Esquina, dia 02/09

As bandas El Paso! (http://www.myspace.com/elpasorock) e Catrac (http://www.myspace.com/catrac) se apresentam no dia 02 de setembro, quinta-feira, na Livraria da Esquina (http://www.livrariadaesquina.com.br/).

A banda El Paso nasceu em janeiro de 2007. No festival Demofest de Bandas Independentes de São Paulo, a banda foi classificada entre as 10 melhores. Desde então, tem se apresentado ao lado de outras bandas do Coletivo Marte, que reúne artistas plásticos e músicos do ABC paulista e capital. Composta pelos guitarristas André Lucio e Anderson Ventura, o baixista Oscar Santana e o baterista Rafael Cab, a banda lança em 2010 seu primeiro CD.

O Catrac formou-se no ano de 2006, agregando músicos experientes de São Paulo, com remanescentes das bandas Diabolô, Maskavo Roots and Cabeloduro. A banda é formada por Marcelo Vourakis, nos vocais e na guitarra, Rogério Salmeron, também na guitarra e vocais, Renato Salmeron, na bateria, e Rodrigo Corsi, no baixo.

Serviço
El Paso e Catrac na Livraria da Esquina
Dia 02 de setembro de 2010
Rua do Bosque, 1236/1254 - Barra Funda, São Paulo
A partir das 22h
Entrada na porta: R$ 15,00
Entrada na lista: R$ 10 (lista@identidademusical.com.br)

O Sonso e Volver no Studio SP, dia 07/09: evento cancelado

A Identidade Musical lamenta comunicar que o show das bandas O Sonso e Volver, que ocorreria no Studio SP, em 07 de setembro, foi cancelado por motivos que vão além da nossa responsabilidade. Já estamos verificando com a casa a possibilidade de agendar uma nova data. Pedimos desculpas àqueles que já haviam se planejado para ir ao evento.


As bandas O Sonso (http://www.myspace.com/osonso) e Volver (http://www.myspace.com/volverbrasil) apresentam-se juntas no dia 07 de setembro, terça-feira, no Studio SP (http://www.studiosp.org/), tradicional casa noturna de São Paulo, na Rua Augusta, 591.

Liderada pelo irreverente vocalista e letrista Daniel Groove, a banda O Sonso apresenta canções que integram, na mesma sonoridade, o rock e a canção romântica brasileira, chamada de brega, mas que a banda valoriza e ressignifica, numa obra inovadora, para fazer dançar, cantar e se emocionar. A banda lançou o primeiro trabalho recentemente, no mesmo Studio SP, no Festival Chico Pop, em Rio Branco, no Acre, e na Feira da Música, em Fortaleza, alcançando grande sucesso de público.

A banda recifense Volver, formada por Bruno Souto (vocal e guitarras), Fernando Barreto (baixo e vocais) e Kleber Croccia (guitarra e vocais), lançou, em 2008, o elogiado Acima da Chuva (Senhor F Discos), segundo disco de estúdio que consolidou a carreira da banda em sua terra-natal e projetou-a no resto do país. Com onze canções que capturam a essência do rock'n'roll, aplicadas a bons refrões de música pop, o "Acima da Chuva" recebeu elogios de diversos críticos nacionais e do exterior. Lançado virtualmente em parceria com o Myspace, o disco atingiu a marca de 60 mil downloads.

Serviço
O Sonso e Volver no Studio SP
Dia 07 de setembro de 2010
Rua Augusta, 591
A partir das 21h - Entrada Franca

As canções que eu queria ter composto: "Intolerância", dos Inocentes

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Camões ao alto

Projeto de país

"Nossa visão deve ser a seguinte: queremos ter produção tecnológica como a Índia, mas com muito mais preocupação com a justiça social, e queremos ter o crescimento da China, mas com a mais absoluta democracia e com as garantias ambientais necessárias. Se esses limites nos atrasarem um pouco, paciência, somos, em nossos melhores momentos, um país que leva essas coisas a sério. O que não é admissível é que qualquer coisa que não nossos princípios atrase nosso progresso".

Descobri esse texto via Idelber Avelar (bons ventos o trazem de volta à internet!). Leia tudinho aqui.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Los Porongas, os Beatles e a nossa geração



Talvez uma das formas de dizer a que geração pertencemos seja identificar as canções que os nossos pares escolhem para reler. Os Los Porongas escolheram "Come Together" dos Beatles, com direito a teclados à moda de The Doors, secundando os Inocentes, ecoando Cérebro Eletrônico, rebatendo Caetano Veloso.

E eu reverencio.

sábado, 21 de agosto de 2010

"Cajuína", de Caetano Veloso

A competência entrante do demônio

Arres, me deixe lá, que – em endemoninhamento ou com encosto – o senhor mesmo deverá de ter conhecido diversos, homens, mulheres. Pois não sim? Por mim, tantos vi, que aprendi. Rincha-Mãe, Sangued’Outro, o Muitos-Beiços, o Rasgaem-Baixo, Faca-Fria, o Fancho-Bode, um Treciziano, o Azinhavre... o Hermógenes... Deles, punhadão. Se eu pudesse esquecer tantos nomes... Não sou amansador de cavalos! E, mesmo, quem de si de ser jagunço se entrete, já é por alguma competência entrante do demônio. Será não? Será?

Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, pra download no Rei do Ebook

Enem, alunos, escolas, pais e professores

O mesmo governo que mede as habilidades de leitura da turma é este (seja ele qual for, não me refiro ao governo Lula ou a qualquer outro especificamente, ok?) que desmontou a escola básica. E não apenas a pública, que levou a fama toda (você não se lembra, mas a escola pública já foi de dar orgulho à família inteira ― e elas ainda existem, em algumas ilhas). Desmontou também a escola privada, que não passa, na maioria das vezes, de uma empresa vendendo serviços, como qualquer outra. Educação, na boca de certos empresários, é palavrão. Para quê isso?

Leia o texto todo de Ana Elisa Ribeiro no Digestivo Cultural.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Dilei e O Sonso, no Ton Ton jazz, em 02 de setembro

A Identidade Musical, agência e produtora, apresenta o show das bandas Dilei e O Sonso, no Ton Ton Jazz, casa localizada na região de Moema, em São Paulo.

Nas canções do Dilei (http://www.myspace.com/curtadilei) misturam-se pop, samba, rock e ritmos tradicionais brasileiros, com violoncelo, guitarras e bandolim. A banda é considerada revelação da música brasileira por artistas do calibre de Tom Zé e Lúcio Maia, além do famoso produtor Miranda. Em 2008 e 2009, esteve em turnê pelo Chile, Argentina e Brasil, com aprovação da crítica e do público, e acumulando premiações como PAC, da Secretaria de Cultura de São Paulo, Festival Toshiba Planet, da MTV Brasil, Prata da Casa, do Sesc Pompéia, e Feira da Música de Fortaleza. Em 2010, lança o primeiro DVD e promete o segundo álbum, Figurantes de um tempo só.

Liderada pelo irreverente vocalista e letrista Daniel Groove, a banda O Sonso (http://www.myspace.com/osonso) apresenta canções que integram, na mesma sonoridade, o rock e a canção romântica brasileira, chamada de brega, mas que a banda valoriza e ressignifica, numa obra inovadora, para fazer dançar, cantar e se emocionar. A banda acaba de lançar o primeiro trabalho, no Studio SP, em São Paulo, no Festival Chico Pop, em Rio Branco, no Acre, e na Feira da Música, em Fortaleza, alcançando grande sucesso de público.

Serviço
Dilei e O Sonso no Ton Ton Jazz
Dia 02 de setembro de 2010, a partir das 22h
Alameda dos Pamaris, 55, Moema, São Paulo
Entrada: R$ 15
http://www.tonton.com.br/

"Love me two times", The Doors



A propósito da nova biografia dos Doors, que acaba de sair.

domingo, 15 de agosto de 2010

"A censura moralista", de Marisa Lajolo

Fui aluno de Marisa Lajolo no mestrado, há uns quatro ou cinco anos. Chance única: foi das melhores professoras que já tive. Texto dela no Estadão, sobre a questão da leitura e do moralismo nas escolas, que encontrei por meio do professor Frederico Barbosa no Twitter.

Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz-se, em crise.

Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências.

Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que as pesquisas tradicionais não levam em conta. E, também de um tempo para cá, políticas educacionais têm tomado a peito investir em livros e em leitura. Vários são os programas que distribuem livros à escola pública e a seus alunos, realizando com este gesto, o velho sonho do poeta Castro Alves, que em meados do século XIX conclamava "Semeai livros, livros a mancheias, fazei o povo pensar".

A distribuição de livros a alunos, assim, segue na esteira de um grande poeta e, quando se segue um poeta, dificilmente se erra... Ou seja, tais programas são acertadíssimos.

O caso, no entanto, é que muitas vezes os livros distribuídos às escolas desagradam pais e educadores que acreditam que certas temáticas são – para dizer o mínimo – deseducativas. É claro que é ótimo que pais e mestres se preocupem com o que leem seus filhos e seus alunos. Melhor ainda seria que eles se preocupassem também – sempre e muito – que seus alunos e filhos lessem. Mas, de qualquer maneira, discutir livros e leituras é sempre importante quando a questão maior é a educação que se quer. O que não é nada ótimo é quando a discussão sobre o que leem os jovens passa a ser pautada pela censura moralista que vê, na temática de certos livros, riscos para... Para o que mesmo? Para a saúde psíquica? Para a moral? Para o comportamento dos jovens? Para tudo isso?

Certas religiões não admitem livros que falem de bruxas e de magos, algumas pedagogias expulsam dos contos de fadas a figura da madrasta malvada ou das cantigas de recreio a dona Chica-ca-ca que atirou o pau no ga-to-to. Mas campeões de reclamações, às vezes ásperas e estridentes, são os livros que trazem questões de sexualidade para linhas, entrelinhas e ilustrações.

É muito bom que os adultos responsáveis pela educação dos jovens – isto é, família e escola – se preocupem com os valores que, fazendo a cabeça da moçada, formatam a personalidade e inspiram atitudes e comportamentos. Mas é também extremamente ingênuo acreditar que livros, por si, são capazes de degenerar valores, ou induzir comportamentos indesejáveis. Se os livros tivessem toda esta força, estaríamos bem servidos: a Bíblia – livro acima de qualquer suspeita – é o grande best-seller do mundo ocidental.

Mas os livros (infelizmente?) não têm sempre esta força toda.

Livros, hoje em dia, quase nunca são o meio de comunicação que, com mais eficiência, faz a cabeça das pessoas. O otimismo de nosso poeta baiano – o livro caindo n´alma/ é germe que faz a palma/ é chuva que faz o mar – talvez não se aplique a nosso tempo. Hoje, o livro tem sérios concorrentes na tarefa de fazer o povo pensar.

O que a televisão transmite, o que se acessa pela internet e o que nos seduz em outdoors talvez tenham muito mais força do que as páginas do volume que lemos. E, face a todas estas mídia, somos mais passivos do que somos face a um livro, sobretudo um livro em torno do qual escola e família podem propor atividades, instigar discussão e reflexão.

Mas, por que um ou outro título, dentre os distribuídos a alunos de escolas públicas, causa polêmica? Porque lidam com a sexualidade e a sexualidade foi sempre um tabu. Na cultura brasileira, a forma de lidar com este tabu parece ser, preferencialmente, excluir a sexualidade do discurso dirigido a crianças e jovens. Do desacerto desta opção fala, por exemplo, o espantoso número de adolescentes grávidas e o assustador crescimento da prostituição infantil. E ninguém pode culpar os livros por esta situação: afinal, não se reclama que os jovens não leem?

A partir dessa constatação, pode ser interessante virar a questão pelo avesso, pensar se o que se precisa não é, exatamente, discutir à luz do dia – isto é, na sala de aula e nas salas de jantar – cenários de sexualidade. Pois sexualidade não é apenas uma questão de biologia, de aparelho reprodutor e de hormônios. É uma questão de como se orquestram os hormônios e o que a sociedade constrói em torno da reprodução.

A história parece mostrar que quando estas práticas da sexualidade não encontram espaço arejado de discussão – como pode oferecer a arte a literatura na escola e na família – elas migram para uma atmosfera viciada do interdito que nada ajuda a formação do jovem. Um trecho do diário de Gilberto Freyre ilustra o que quero dizer:

(...) quando eu tinha 8 anos, em vez de ler somente o Tico Tico, lia também, indevidamente, O Malho. Um dia encontrei n´O Malho, na legenda de uma caricatura, a palavra “meretriz”. Perguntei àqueles dois: “que é meretriz”? Nenhum deles respondeu. Mas os dois – meu Pai e meu Tio Tomás – riram alto, deixando-me atrapalhadíssimo.

Nós todos, pais e mestres, educadores em geral, precisamos escolher: vamos discutir o que é meretriz? Ou vamos esconder melhor os volumes de O Malho? Ou vamos até pedir que a publicação seja suspensa? Com a palavra, cada um de nós. E, para ajudar na reflexão, um belo texto do professor Antonio Cândido, parte de uma conferência feita na SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) em 1972, com o qual se encerram estas mal traçadas:

A literatura pode formar, mas não segundo a pedagogia oficial que costuma vê-la ideologicamente como um veículo da tríade famosa – o Verdadeiro, o Bom, o Belo – definida conforme os interesses dos grupos dominantes, para reforço de sua concepção de vida. Longe de ser um apêndice da educação moral e cívica (esta apoteose matreira do óbvio, novamente em grande voga), ela age com o impacto indiscriminado da própria vida e educa como ela, com altos e baixos, luzes e sombras. Daí as atitudes ambivalentes que suscita nos moralistas e nos educadores, ao mesmo tempo fascinados pela sua força humanizadora e temerosos de sua indiscriminada riqueza. E daí as duas atitudes tradicionais que eles desenvolveram: expulsá-la como fonte de perversão e subversão ou tentar acomodá-la na bitola ideológica dos catecismos. (...) Dado que a literatura, como a vida, ensina na medida em que atua com toda sua gama, é artificial querer que ela funcione como os manuais de virtude e boa conduta. (...) Ela não corrompe nem edifica, portanto; mas, trazendo livremente em si o que chamamos o bem e o que chamamos o mal, humaniza em sentido profundo porque faz viver.

* Marisa Lajolo, professora-doutora em Letras, curadora do Espaço do Professor na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e organizadora de “Monteiro Lobato: livro a livro” (Prêmio Jabuti de melhor livro de não ficção, 2009)

Tem alguma coisa errada em um monte de dinheiro



A série norte-americana a que tenho assistido quando dá. É de chamar a atenção o rosto das personagens frente à montanha de dinheiro.

Suponho que sempre deve haver alguma coisa errada em uma montanha de dinheiro.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Visitantes e Seminal no Abrigo




A Identidade Musical, agência e produtora, apresenta o Abrigo, projeto que reúne novos talentos de São Paulo e de fora da capital paulistana, na Livraria da Esquina, casa localizada na região da Barra Funda. A ideia é “abrigar” bandas independentes de todo o Brasil que procuram espaço para mostrar o talento e a originalidade.

No dia 21 de agosto, sábado, o Abrigo traz as bandas Visitantes e Seminal, ambas de São Paulo, com o apoio do coletivo Escárnio e Osso e da Brain Productions.

Os Visitantes fazem Rock do hemisfério Sul, com letras em português, desde 2007. Segundo a própria banda, suas canções, feitas para dançar e pirar, são como “uma manada de javalis maquiados correndo pela floresta, folhas voando e limo escorrendo dos prédios”. No primeiro ano de carreira a banda excursionou pelo interior de São Paulo. Em 2008, esteve em Brasília e Porto Velho/RO. Em 2009, gravou "Na brasa fugaz da cana queimando", seu primeiro registro oficial, lançado em metal-pak.

A banda Seminal é um power trio de gênero musical “outros”, puxado no jazz-afro-punk de raíz. Em 2005, lançou o álbum de estréia, "Medeiros Defenestra o Patinete Amarelo", que recebeu elogios de crítica e público. Em 2007, apresentou-se pela primeira vez no Centro-Oeste, praticamente inaugurando a Casa Fora do Eixo, em Cuiabá. Depois de lançar o EP Seminal 10, gravado ao vivo, no final de 2008, a banda vem ensaiando e compondo para um provável segundo disco, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2010.

Além disso, o Abrigo conta com a participação especial de Bruno Montalvão, produtor artístico, com quatorze anos de experiência no mercado musical. Montalvão já realizou festivais, turnês, programas de televisão, shows e gravações de dvd, mas no Abrigo vai contribuir como DJ, fazendo o público dançar.

Seminal:www.myspace.com/seminalsurubasplash
Visitantes: www.myspace.com/visitantesbr
Escárnio e Osso: http://escarnioeosso.wordpress.com/
Brain Productions: http://brainproductions.blogspot.com/

Serviço
Abrigo
21/08, a partir das 23h
Livraria da Esquina B: Rua do Bosque, 1236.
Entrada: R$ 10,00
www.livrariadaesquina.com.br

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Entrevista no programa Ideias na Aldeia

Minha viagem ao Acre foi daquelas que marcam a vida. Já contei para muita gente que dá para experimentar no ar a energia do lugar, mágico por herança, brasileiro por escolha. Também já ventilei bastante por aí que conhecer Gerson Conrad, ex-Secos e Molhados, e conviver com ele por alguns dias foi dos pontos altos da viagem. No link, nossa participação no programa Ideias da Aldeia, do entrevistador Jorge Henrique: http://ideiasdaaldeia.blogspot.com/2010/08/gerson-conrad-e-rogerio-duarte.html

domingo, 8 de agosto de 2010

Lições de Vida

A maldição do Abade

«Desta terra da Gafeira quis a Providência fazer exemplo de castigo. Porque sendo dotada de águas boas na cura das feridas malignas e de abundante e saboroso pescado, não a redimiu o Senhor com a vara de Sua Altíssima Clemência, a qual tem duas pontas e são a do castigo do século e a do arrependimento cristão. E estas pontas são de fogo e de mel e conduzem à absolvição no dia em que das entranhas da Gafeira desaparecer o último sinal de paganismo bem como dos festins e orgias que se levaram a efeito nas termas romanas instaladas por Teófilo e das quais restam pedras ímpias e inscrições de agravado speculum exemplorum.»

Aceitemos a maldição. Soletremos a muralha pecadora e com mão oficial, zeloso doutor, escrevamos o nihil obstat para descanso de todos nós. Sou assim, respeito os mortos que deixaram a sua palavra no granito e no papel. Mesmo que os mortos se chamem Agostinhos Saraivas, Júlios Dantas, Augustos de Castro e outros literatos menores, sem esquecer os das estátuas. Bem, e depois?

Josá Cardoso Pires. O Delfim. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.

"Daninha e a Pulga", Grupo Rumo

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Fotos que atormentam, de Eduardo Luderer

Conheci Eduardo Luderer no Showlivre e tive a chance de encontrá-lo ontem, na Livraria da Esquina, em que ele fotografou o show da banda Babi Jaques & Os Sicilianos. Lá ele me mostrou uma série de fotos que tem feito, de nome The Best Feelings of Life, bastante impressionantes, pela técnica e pelo conteúdo.

Alguns leitores dirão que se trata de imagens de mau-gosto, outros adorarão. Fiquei especialmente impressionado: o título e as palavras em inglês, a mim, sugerem que os tais sentimentos têm origem numa cultura que nos é alheia. Outra coisa: antes de julgar que Luderer faz apologia ao uso de drogas ilegais, lembro que ele promete fazer outras fotos, uma delas com antidepressivos.

E aí? Quais de nós escaparão ao uso de ao menos uma das drogas que o fotógrafo vai retratar?

As fotos talvez choquem porque mostram contradições inerentes a estas pessoas, a este lugar, a este tempo - tudo que não queremos ver.



Hoje eu me sinto assim

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Da lírica

Toda composição lírica autêntica deve ser de pequeno tamanho. (...). O poeta lírico não produz coisa alguma. Ele abandona-se – literalmente (Stimmung) – à inspiração. Ele inspira ao mesmo tempo clima e linguagem. (...) Seu poetar é involuntário. Os lábios deixam escapar o “que está na ponta da língua”. (...) O poeta lírico escuta sempre de novo em seu íntimo os acordes já uma vez entoados, recria-os, como os cria também no leitor.

STAIGER, Emil. Conceitos fundamentais da poética. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1972. p.28.

domingo, 1 de agosto de 2010

Uma palavra

Uma palavra é um subtil búzio em que rumorejam várias as vozes dos séculos e, por isso, na origem, na história e nas vicissitudes semânticas das palavras encontra o escritor recônditos fios para a complexa teia que vai urdindo.

Vítor Manuel de Aguiar e Silva, na Teoria da Literatura, Livraria Almedina, Coimbra, 1969. p.32