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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sobre redes sociais e a logorreia deste nosso tempo

A aurea mediocritas burguesa dominante alimenta-se, porém, de outras águas: do ruído estridente, constante e sem finalidade da (des)conversa sem espanto, toda auto-suficiência e autocomplacência. Falar, e falar por falar, é sempre melhor do que ficar calado. A palavra e a imagem banal são os meios pelos quais o novo-riquismo mediático e social e o novo provincianismo cibernético das "redes sociais" conseguem furtar-se a qualquer espécie de explicação e reflexão. Enquanto se fala, não se pensa, nem se deixa pensar. À crise da linguagem que por volta de 1900 gerou um cepticismo produtivo correspondem, nesta virada de milénio, outras, de sinal contrário: a logorreia que ameaça sufocar todas as formas de sensibilidade, e a tirania da imagem que atrofia as faculdades do pensar.

João Barrento, O Género Intranquilo. Lisboa: Assírio & Alvim, 2010. p.36-37

terça-feira, 26 de julho de 2011

Poema sonhado

Sonhei que escrevia dois poemas: um era concreto, outro era abstrato. Acordei desesperado, às seis da manhã - em algum lugar do planeta sempre será seis da manhã. Queria reter o que escrevera no sonho. Só restou isso:

A exceção estruturalíssima
Da razão espaço-tempo
Se perdeu nos desvios
Do meu inconsciente.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Amor em estado puro


Já me disseram que a mulher, quanto tem um filho, rejuvenesce, inclusive biologicamente: troca tecidos, despeja no universo as velharias que acumulou, sobretudo nas sociedades patriarcais filhas da puta, que sacaneiam as mulheres. A mulher fica bonita porque a criança é o novo. A maternidade é átimo de vida integrada, que depois se dissolve no comum, mas que sempre guarda o novo em si.

Quando assisti às espreguiçadas do distinto rapaz da foto quando ele nem ainda saíra da barriga da mãe, mulher bonita da foto, vieram-me lágrimas aos olhos: era momento de vida pura, sem determinações psíquicas, sociais, econômicas, linguísticas, antropológicas, geográficas, astrológicas - era só vida, intransitivamente, sujeito disperso em outro, amor em estado puro de que eu gostaria de lembrar de ter vivido.

João nasceu em ano propício, cheio de convulsões sociais, que o desafiarão nos anos que virão. Eu mesmo quero contar a ele o que foi o passado - ainda presente pra mim; para ele serei um homem do século passado.

Mas, neste momento, farei uma pausa para a paz e para o amor. Em estado puro. O poder que um serzinho desse tamanho tem.

Respira



Bons ventos me sopram do Pará.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Um dia a gente chega em casa

Ela conduz, eu sangro. Vapor Barato. A cada dia que passa, mais eu me sinto estrangeiro.

O ensaio sensual

A gestação (gesta) do ensaio é permanente, a bordo dos dias, com faróis acidentais que o guiam pelo obliterado bilhete de autocarro, pelos veios do tampo da secretária, pela parede branca à minha frente, que me reflecte todas as ideias, protegendo-me, impassível, das tentações do devaneio. O branco oferece-se, virgem, ao ensaio de desfloração da matéria: o hímen que resiste (os véus que me encobrem o corpo deste objecto instável); a penetração (a ficha, a anotação solta, o lampejo que torna o véu translúcido); o desfolhar do labirinto de experiências, a princípio ingovernáveis, intratáveis, depois domadas, até onde é possível; o derrame (o ímpeto incontrolável das ideias a ganhar forma).

João Barrento, O Género Intranquilo: anatomia do ensaio e do fragmento. Assírio & Alvim, Lisboa, 2010. p.16.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A cabaça das ideias merece rosas



Em 2007, quando ouvi Los Porongas pela primeira vez, encontrei-os ao acaso, na internet. A impressão que me causaram foi tão forte que ouvi o disco deles por semanas seguidas, até escrever este texto aqui, originalmente publicado no Showlivre, que terminava dizendo: "Senhoras e senhores, os Porongas trouxeram-me boas novas: eles viram a cara do rock brasileiro. E ele está vivo".

Hoje, cinco anos depois, descobri que os Los Porongas contribuíram demais para a minha vida mudar - porque toda as canções deles me abriram um mundo todo novo, não só em termos de desfrute de música, mas também de novos amigos, atividades, enfim, de uma nova forma de observar a realidade. Descobri ainda mais, agora escrevendo aqui da semiperiferia do capitalismo: Los Porongas, em O Segundo Depois do Silêncio, vibram num diapasão bem mais amplo que o Acre ou São Paulo: vibram mundialmente, como pretendo provar num texto que estou escrevendo por aqui, escondida e subversivamente. O mundo é bem mais que meu quintal, eles me avisaram. Nunca experimentei tanto a verdade desse aviso amigo. Ei-los, sempre, à frente dos limites espaciais e temporais que são impostos a eles e que eles nunca respeitam, para a nossa sorte.

No vídeo, aos meus quatro amigos, Los Porongas, ofereci algumas rosas, porque me fizeram florescer ideias na cabeça sem as quais, hoje, não poderia ser feliz.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Semiperiféricos: gregos e portugueses


Pixação num muro próximo à Acrópole e à Ágora Antiga...

Já faz um tempinho que tenho estudado o conceito de semiperiferia do capitalismo, proposto por Boaventura de Sousa Santos. Gosto desse senhor, primeiro porque ele é português, Boaventura como meu avô; segundo porque é propositivo, não desanima frente às mais arrojadas cabriolas de volatim que o capitalismo consegue efetuar; terceiro porque ele escreve fácil, sem ranços, como todos gostaríamos de escrever.

Pois bem: Portugal e Grécia fazem parte da semiperiferia do capitalismo. São nações que guardam em comum bem mais do que isso, é verdade, por mais que o capital insista em nivelar-nos todos, de preferência, por baixo. Gosto ainda mais de Boaventura de Sousa Santos porque ele vê, nas sociedades semiperiféricas, as alternativas que os países do centro não veem, porque neles é mais difícil enxergar as contradições das ideologias. Nós, aqui da periferia mesmo, sempre ansiamos por copiar as nações do centro, por mais que nossa realidade diga o contrário. Mais do mesmo: Roberto Schwarz já explicou tudo isso.

Aprendamos com a semiperiferia: http://aeiou.visao.pt/homem-do-leme-gregos-somos-nos=f612646.


...e um papel higiênico em Frankfurt. De fato, o pessoal dos países centrais vê meios de comerciar tudo, em todos os lugares. Numa perspectiva antropófaga e oswaldiana, diríamos que nada nos resta a não ser usar as ideologias do capitalismo pra limpar as partes.

sábado, 9 de julho de 2011

Sakamoto: "São Paulo precisa de uma revolução de verdade"

Eu já disse aqui e reafirmo que a esperança de São Paulo é que uma nova geração, liberal em costumes, progressista politicamente, consciente com relação ao meio ambiente e aos direitos sociais e civis, menos arrogante e com uma atuação realmente federalista, consiga emergir com força em meio à decadência quatrocentona, travestida de pseudo-modernidade ao longo do século 20, que ainda grassa por aqui.

Cada vez que leio um texto no Blog do Sakamoto, me empolgo mais com a veiculação de opiniões alternativas na internet. Leia o texto completo no link: http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/07/09/9-de-julho-sao-paulo-precisa-de-uma-revolucao-de-verdade/

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Antonio Candido presente

Não há aula de literatura que eu dê em que Antonio Candido não apareça: às vezes ele é o assunto principal, às vezes é o pressuposto fundamental; às vezes é a visão dele que orienta a análise, às vezes sou eu que tento seguir-lhe o raciocínio, de linguagem simples e densidade extrema, sem pedantismos. Quem tiver saco de ler meus artigos acadêmicos encontrará cacoetes de escrita que lhe tomei, de tanto ler a Formação da Literatura Brasileira (aprendi a analisar poemas repetindo nas minhas aulas o texto sobre "Leito de Folhas Verdes", de Gonçalves Dias), o Literatura e Sociedade (minha aula inteira de Senhora, de José de Alencar, eu roubei desse livro), e o Ficção e Confissão (fonte fundamental para escrever o capítulo sobre Vidas Secas, de Graciliano Ramos, na dissertação de mestrado).

Antonio Candido insiste em dizer que é homem do passado, afirmação de que discordo: se ele está semanalmente em minhas aulas, será ele homem do passado? Alguns dirão que o homem do passado sou eu, que insisto em revisitá-lo. Tenho pra mim que não.

Nunca vi Antonio Candido pessoalmente, provavelmente nunca vou ver. Mas não tem problema: diariamente, na pesquisa acadêmica e nas aulas, encontro Antonio Candido, pai de todos os meus professores. No link a seguir, trechos de valor inestimável da entrevista que o homem deu na FLIP: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/939733-sou-um-homem-do-passado-diz-antonio-candido-em-paraty.shtml

Abaixo, meus trechos preferidos:

Sobre Oswald de Andrade e as mulheres: "O homem é da propriedade privada, a mulher não é"


Acho '[A Marcha das] Utopias' e 'A Crise da Filosofia Messiânica' muito interessantes. Acho que Oswaldo é um precursor. O papel da mulher, por exemplo.

Ele dizia, brincando: 'Dizem que sou um bicho-papão com as mulheres, tenho uma porção de mulher. Eu sou o brasileiro que mais respeita mulher. Porque o brasileiro normal é casado e tem amantes. Eu não: sou casado, gosto de uma mulher, largo ela e caso com aquela, vou casando. Portanto, ninguém respeita mais a mulher do que eu'. O que é um paradoxo perfeitamente defensável. Ele casou seis ou sete vezes, fora os avulsos. Eu acho extraordinária a visão que ele tem do papel da mulher na sociedade.

O homem tem ideia de que tudo é dele: minha mulher, meu filho, minha casa, meu automóvel. A mulher é muito mais do 'nosso'. Só teremos uma sociedade igualitária quando a mulher tiver predominância. Estamos caminhando para isso. Das coisas mais positivas do nosso tempo é a presença da mulher. Isso Oswaldo viu perfeitamente. Dizia que a sociedade precisava dar a mulher o papel de guia porque a mulher é a fonte da vida e não tem o senso da posse que o homem tem. É uma ideia muito bonita. O homem é da propriedade privada, a mulher não é.


Oswald de Andrade e a problemática atual


Ele era muito inteligente. Fulgurante. Uma vez ele quis fazer um concurso [acadêmico] de filosofia. Eu falei: não faça isso, Oswaldo, você não é filósofo. [Ele disse: 'Por que não poso fazer? Sou brasileiro, maior de 21 anos, vacinado, posso fazer. Faça uma pergunta para mim para você ver, inventa uma pergunta complicada'. Eu disse que ia fazer uma pergunta pernóstica, que poderiam fazer [na banca]: 'Senhor candidato, diga-me vossa senhoria qual é a impostação hodierna da problemática ontológica?'. Ele dizia: 'Eu respondo: Está vossa excelência muito atrasado, porque, na nossa era de devoração universal, a problemática não é ontológica, é odontológica'.


A boa crítica literária, Schwarz, Wisnik e a "questão de sorte" 


Ah, isso não tem definição. A boa critica literária é a critica que é boa. Agora, quando eu leio artigos de jornal, sobretudo coisa universitária, é muito boa a crítica brasileira. Admiro os jovens críticos brasileiros. Tive a sorte extraordinária, a pura sorte, de reunir em volta de mim um grupo dos melhores críticos do Brasil. Eu tenho a impressão que isso acontece. Eu tenho amigos que não têm. Em volta deles não se juntou. Eu tive a sorte. Os senhores vão ver hoje a noite um deles que é o Zé Miguel Wisnik, são os meus filhos. Eu costumo dizer sempre com muita sinceridade que a coisa mais importante que eu fiz na vida foi ter em volta de mim o grupo de jovens que eu tive. Isso foi minha maior contribuição feita para a cultura brasileira e para a Universidade de São Paulo. Roberto Schwartz, José Miguel Wisnik, João Lafetá ,Walnice Nogueira Galvão, Telê Ancona Lopes. Grandes estudiosos de primeira categoria, fizeram tese comigo de mestrado, de doutorado. Questão de sorte.


PT, política atual e provocações


"Não estou aqui para falar de política nem do PT. [em tom bem-humorado] O senhor não me provoque, que eu não cedo. Sou Candido, mas não cedo a provocações."

Itaú Cultural produz espetáculos especialmente para a FLIP 2011

Recebi a mensagem abaixo via email e achei que valia a pena reproduzir: tem gente boa demais envolvida no projeto, até o Fábio Vietnica, conhecido e querido das atividades na Identidade Musical

Em seu segundo ano na Festa Literária de Paraty o Itaú Cultural preparou especialmente uma série de quatro espetáculos cênicos, nos quais a literatura é a personagem principal.

São produções cênicas com poetas, músicos e VJ sobre a obra do escritor homenageado na Flip 2011, Oswald de Andrade, sendo: dois espetáculos da série AuTORES EM CENA, com curadoria do escritor Marcelino Freire – um com Lourenço Mutarelli, outro com João Gilberto Noll e um sarau comandado pelo poeta e criador da Cooperifa, Sérgio Vaz.


Data: quinta 7 a domingo 10 julho 2011 (veja abaixo a programação).
Local: Casa da Cultura de Paraty | Rua Dona Geralda 177 - Centro Histórico | Paraty - RJ | fone 24 3371 2325 | http://casadaculturaparaty.org.br/
Entrada franca - ingressos distribuídos com uma hora de antecedência
[indicado para maiores de 12 anos]
PROGRAMAÇÃO - mais informações na página http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2841&cd_materia=1639


quinta 7 17h
Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros — Recital Multimídia da obra de Oswald de Andrade
Produção cênica com poetas, músicos e VJ que apresenta uma visão plural da poesia de Oswald de Andrade, com destaque para características como o verso livre, o poema-pílula, o prosaísmo, o coloquialismo e o poema-piada, que usa o humor e a ironia para parodiar amplos domínios da própria literatura de forma simpática ou demolidora.
com Frederico BarbosaMarcelo FerrettiSusanna Busato e o coletivo MALLARMIDIALab

sexta 8 18h
O Outro 
Um relato sensível e dramático dos últimos minutos de vida do pai de Lourenço Mutarelli, que tinha o mesmo nome que o filho. A produção pertence à série AuTORES EM CENA.
com Lourenço Mutarelli (texto e atuação), Nilton Bicudo (direção e iluminação) Tunica Teixeira (som)
- Trilha sonora gentilmente cedida pelo compositor, instrumentista e arranjador Itamar Vidal (autor) e o pianista Gabriel Levy (músico que gravou a trilha)

sábado 9 18h
Solidão Continental
Uma viagem pelos interiores do protagonista anônimo do escritor João Gilberto Nolll, que se locomove, se debate e vira estátua. Desde a Copacabana do seu romance A Fúria do Corpo, até o abraço final com seu amante na selva brasileira. Produção da série AuTORES EM CENA.
com João Gilberto Noll (texto e atuação) Fernanda D’Umbra (direção e iluminação) e Edson Kumasaka (som e projeções).

domingo 10 11h
Palavras das Ruas
Pedras, várzea, quebradas, sarau, Maria e João, café com leite, facão, corre-corre, poesia, vira-lata... O poeta Sérgio Vaz produz e apresenta um espetáculo de poesia com autores que conhecem e escrevem sobre as ruas de São Paulo.
com CocãoMarcelino FreireRodrigo Ciríaco e Sérgio Vaz

Biografias dos participantes

Antonio Panda Gianfratti dedica-se à música improvisada desde 1999 e é fundador do grupo Abaetetuba de improvisação livre. Seu trabalho tem como características a pesquisa e transição de timbres e a construção e a transformação de instrumentos do universo da percussão.

Cocão é poeta e rapper, vocalista do grupo Versão Popular, que em 2010 lançou o CD de estreia Quem Viu Viu. Ativista cultural, faz parte da nova safra de artista-cidadão que se espalhou pela periferia paulistana.

Fábio Vietnica é um videoartista, difusor do conceito de videodiscotecagem, que consiste na execução ao vivo em uma pista de dança de videoclipes mixados com áudio original. Já fez apresentações combinando música, vídeo e poesia, buscando uma interação entre elas com o intuito de levar estas artes a novos rumos..

Fernanda D'Umbra é atriz, diretora, roteirista e produtora. Participou do grupo de teatro Cemitério de Automóveis, da cena alternativa paulistana. Fez alguns trabalhos para a TV, com destaque para o seriado Mother, da GNT.

Frederico Barbosa é professor de literatura, organizador de oficinas de criação poética e performer de poesia. Publicou oito livros de poesia e foi curador da primeira biblioteca temática de poesia do país, a Alceu Amoroso Lima, em São Paulo. É supervisor de Ações Culturais da Casa das Rosas e foi, entre 2008 e 2010, diretor executivo da Poiesis – Organização Social de Cultura.

Ilo Codognotto é artista visual e um dos fundadores da Cooperativa dos Artistas Visuais do Brasil. Trabalha com diversos suportes e já expôs na Casa das Rosas, em galerias e em espaços alternativos. Atualmente trabalha com produção cultural, sendo responsável, entre outros, pelo projeto expográfico Memorial do Theatro da Paz, em Belém.

João Gilberto Noll é escritor. Publicou treze livros e recebeu diversos prêmios, incluindo o Prêmio Jabuti em cinco ocasiões. Recentemente, lançou três livros juvenis pela Editora Scipione, sendo o mais recente Anjo das Ondas.

Lourenço Mutarelli é escritor e quadrinista. Entre os diversos romances que publicou destacam-se O Cheiro do Ralo e O Natimorto, ambos adaptados com sucesso para o cinema.

Marcelino Freire é autor de Angu de Sangue e Contos Negreiros, vencedor do Prêmio Jabuti 2006. É o criador e curador da Balada Literária. Faz parte do coletivo EDITH (visiteedith.com) e acaba de lançar o livro de contos Amar É Crime.

Marcelo Ferretti é formado em psicologia pela USP e é doutorando em filosofia pela mesma universidade. Como músico, acompanha os recitais de poesia realizados por Frederico Barbosa desde 2000.

Nilton Bicudo é ator e diretor de teatro e tem diversos trabalhos realizados para TV e cinema. Dirigido por Mário Bortolotto, participou como ator da elogiada adaptação teatral de O Natimorto, romance de Lourenço Mutarelli.

Rodrigo Ciríaco é educador e escritor, autor do livro de contos Te Pego Lá Fora, que aborda o cotidiano das escolas públicas da periferia de São Paulo. Ativista cultural, há cinco anos integra a Cooperifa e coordena dentro de sua escola o projeto Literatura (é) Possível. É criador e editor do blog www.efeito-colateral.blogspot.

Sérgio Vaz é poeta, agitador cultural e coordenador da Cooperifa, movimento literário na periferia da zona sul de São Paulo. É autor dos livros Colecionador de Pedras (Global Editora) e Cooperifa, Antropofagia Periférica (Editora Aeroplano).

Susanna Busato é doutora em letras pela Unesp de São José do Rio Preto, mestre em comunicação e semiótica pela PUC/SP e professora de poesia brasileira na Unesp. Tem poemas publicados nas revistas Cult, Brasileiros e nas eletrônicas Zunái e Aliás, e ensaios na Cronópios e Gérmina e em outras revistas acadêmicas. 

O fim do capital, em seu próprio seio: Leonardo Boff na Carta Capital

foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

Los Porongas lançam "O Segundo Depois do Silêncio" no Centro Cultural



Dia 09 de julho, sábado, o Los Porongas sobe ao palco da Sala Adoniran Barbosa, do Centro Cultural São Paulo, para fazer o show de lançamento do segundo cd do grupo, "O Segundo Depois do Silêncio". Recheado de intenções e sentidos, o disco mostra o amadurecimento musical da banda, após 4 anos de residência em São Paulo depois de se mudarem de Rio Branco, Acre, cidade natal dos Porongas. Amadurecimento que veio não só da vivência da cidade, mas também de contatos com novos artistas e da possibilidade de irem ainda mais longe.

O álbum é um lançamento da Baritone Records, selo da Identidade Musical, que juntamente com esse show já disponibilizou para download todas as faixas, incentivando o público a chegar no show pronto para acompanhar, cantando, a banda.

Show que vai contar com participações especiais de Hélio Flanders (Vanguart), Carlos Gadelha (O Jardim das Horas), Thiago Perozzi e Leandro Febras (Nosotros).

Serviço:

Los Porongas
Lançamento de "O Segundo Depois do Silêncio"
Sábado, dia 09 de julho de 2011
19h00 / Duração: 1h20
CCSP - Centro Cultural São Paulo / Sala Adoniran Barbosa
Rua Vergueiro, 1000 (próx. Metrô Vergueiro)
Entrada: R$20 (inteira) / R$10 (meia) (somente em dinheiro)
Ingressos antecipados pelo tel (11) 4003-2050 ou http://www.ingressorapido.com.br/Evento.aspx?ID=15928 (somente cartões de crédito)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Grande Acontecimento 41 - Super-Homem ingressa na área da saúde

Todos conhecemos o Super-Homem. Exceto pelo fato de usar cueca por cima da calça, era um herói legal: vencia os vilões, salvava as mocinhas, e até fazia o tempo voltar atrás para não perder a amada. Sua única fraqueza era a kryptonita, mas seus inimigos nunca puderam vencê-lo. Era o arauto da justiça e vestia as cores da nação da liberdade, lar dos bravos e terra dos fortes; na Sala da Justiça, encarnava o self made man, oriundo de um planeta distante, que vencera na vida graças às oportunidades da América. Não era milionário e desocupado como o Batman, nem privilegiado como Charles Xavier, que, além de ter nascido rico, explorava pais de adolescentes problemáticos com uma escola particular. Super-Homem nunca teve nada, a não ser uma pequena propriedade nas regiões mais geladas e distantes do planeta.


Acontece, contudo, que Super-Homem se deixou levar pela cultura das celebridades: abandonou a carreira abnegada de herói, sem grandes remunerações ou reconhecimentos públicos, por outra, em um seriado de TV norte-americano. Todos sabemos o que acontece nos bastidores: milhões de dólares no bolso, muito sexo, muitas drogas (carreiras e carreiras de kryptonita, sua grande fraqueza, misturada com cocaína) e - em se tratando de TV americana - muita música pop universitária, que às vezes faz mais mal do que as drogas.


Super-Homem experimentou de tudo, no que diz respeito ao sexo, até relações a três. Aquela cueca por cima da calça nunca enganou ninguém: ele queria mesmo é colocar os meteoritos pra fora. 


Na foto em destaque, Super-Homem em campanha pelo uso da maconha na confecção de roupas. Na época, foi flagrado várias vezes bolando camisetas.

O sucesso sobe à cabeça de qualquer um, ainda mais de alguém que pode voar rumo ao espaço, em poucos instantes. Depois da glória e da celebridade, a decadência: os fãs sabem que Super-Homem se rendeu ao sistema, foi puxa-saco de Ronald Reagan e até perdeu uma briga para o Batman, que nem tem superpoderes, só tem um cinto de utilidades, que hoje pode ser comprado em qualquer loja de criança, patenteado pelas Indústrias Wayne. Os leitores de O Cavaleiro das Trevas sabem do que estou falando.


Sem dinheiro, sem mulheres, sem kryptonita, sem o apoio dos pais, sem a proteção do Marlon Brando, enfim, completamente esmagado pela obscuridade, Super-Homem se viu humilhado e teve de recorrer àquilo que julgava um atraso da humanidade da Terra: a religião. Foi flagrado diversas vezes em oração, nas igrejas do centro de São Paulo, afastado dos EUA, onde era reconhecido na rua e sofria bullying: "Hipo-Homem!", diziam alguns; "Cuecão", apelavam outros; "Traidor da pátria", argumentavam os conservadores norte-americanos ou outros remanescentes de Krypton, que ele costumava encontrar na sede dos MIB. 


Notem a decadência do herói: cadavérico, com dificuldades na super-visão, gel de pouca qualidade no pega-rapaz, tentando ocultar a identidade com uma jaqueta que ganhou de Michael Jackson e que, meses depois, seria leiloada. 

Finalmente, depois de participar do grupo de Heróis Decadentes Anônimos, Super-Homem abandonou as vaidades e as drogas. Sua grande dificuldade foi admitir que, apesar de ser extraterrestre, é gente como qualquer um, inclusive o Batman, o Lex Luthor, e até os anônimos cuja vida salvou ao longo de toda a vida. Devido ao abuso de kryptonita, perdeu boa parte de seus poderes e teve alterações metabólicas que lhe custaram alguns quilos a mais. Hoje trabalha em hospitais, usando o único poder que lhe sobrou - o poder de voar - para levar alegria a crianças doentes.  



terça-feira, 5 de julho de 2011

Palestra de Prema Yoga - Mantras Divinos


Nesta quarta-feira, 06 de julho, a Associação de Yoga recebe a professora de Prema Yoga Didi Ji (Nikhileshwari Devi), para uma palestra gratuita. O programa começa às 15 horas e tem duração de 1h30. A professora, que mora atualmente na Australia, se encontra no Brasil para uma série de cursos e palestras. Quem quiser participar deve confirmar participação pelo telefone: (11) 3675-8642.

domingo, 3 de julho de 2011

Brasiliana Eletrônica

Encontrei a dica abaixo no conteúdo livre: http://sergyovitro.blogspot.com/2011/07/o-melhor-da-cultura-em-11-indicacoes.html

A célebre coleção publicada pela Companhia Editora Nacional entre 1931 e 1993 está sendo digitalizada pela UFRJ, para consulta gratuita na internet. Os 415 volumes abrangem de história e antropologia a ciências naturais e linguística e são oferecidos em fac-símile e em texto com a ortografia atualizada. Cerca de 120 obras já estão disponíveis.

http://www.brasiliana.com.br/