Total de visualizações de página

segunda-feira, 19 de março de 2012

Duas maioridades e nenhuma maturidade

Completo 36 anos na próxima quarta-feira, 21 de março.

01. A festa...


...vai rolar no Studio SP, na quinta-feira, dia 22 de março, com shows de Los Porongas e O Sonso, duas bandas queridas. Na verdade, na mesma data, a Identidade Musical e a Baritone Records comemorarão seis anos de existência, e aproveitei a chance de rever bons amigos e de assistir a ótimos shows celebrando meu aniversário nesse dia. O DJ é Tatá Aeroplano, do Cérebro Eletrônico - o que completa a qualidade musical da noite. O hotsite da festa é este: http://6anos.identidademusical.com.br/.


Em poucas palavras: deve ser a melhor festa de aniversário da minha vida, com amigos queridos, bandas do caralho, DJ de primeira, lugar legal.

02. O aviso: não posso ficar até às tantas da madrugada, porque vou dar aula na sexta pela manhã;

03. A reflexão: se algum aniversário representa, pelo menos simbolicamente, o ingresso na vida adulta, deve ser o de 36 anos: trata-se de duas maioridades, dois aniversários de 18 anos completos.

Assim, ingresso, ao menos numericamente, na categoria dos "adultos", para abandonar a dos jovens. Infelizmente, adquiri pouca ou nenhuma maturidade nos últimos 36 anos. Me explico.

Sempre imaginei que morreria aos 27 anos - assim como boa parte dos meus ídolos. Até aos 27, levei a vida com bastante irresponsabilidade. Se alguém conseguiu chegar até esta parte do post, por favor, não me contrarie: é verdade, trabalhei muito, saí cedo da casa de meus pais, li muita coisa, já tinha me casado pela segunda vez aos 27 anos. Mas nunca me vi de fato como adulto: era , no máximo, um adolescente ocupado com bastante trabalho e com uma ressaca eterna - a cabeça doía incessantemente. Não desejo a ninguém a paupérrima vida subjetiva que eu tinha, repleta de arrogância e egoísmo, pouca ou nenhuma espiritualidade, e muita cerveja com hambúrguer pra fazer a argamassa que ocupava provisoriamente o vazio.   


Vaso ruim não quebra: eu passei dos 27, mas gente muito melhor do que eu ficou pelo caminho, por muito menos do que fiz. Carrego remorsos terríveis, de que não sei se posso me livrar - fiz mal a bastante gente, algumas vezes propositalmente. Aprendi que nenhuma das promessas feitas à classe média pode se concluir: os sonhos de família feliz, de casamento eterno e de felicidade por meio do consumo são só sonhos. Com raiva de terem mentido pra mim, destruí muita coisa e muita gente ao meu redor. Ao lado disso, aprendi a lidar um pouco com o que é real e concreto - e aceitá-lo. Ou não: o bom de ter seu próprio dinheiro e seu próprio canto desde cedo é a chance de dizer uns nãos às merdas que a vida traz. Alguns dos meus defeitos serão trabalhados até o último dia de minha vida; outros vão ficar como estão. Sou mesmo bicho do mato - eu era assim desde pequeno: gostava mais de ler do que de gente. Fico cada vez mais assim. Frequento uns poucos amigos porque os amo. Verifico meu grau de insanidade semanalmente na terapia: enquanto tudo estiver dentro dos parâmetros das loucuras concedidas não vou me preocupar. Tenho uns companheiros com que divido as aflições. Por hoje é suficiente.

Não tenho saudades da infância nem da adolescência - tenho saudades de algumas pessoas que perdi, como meu pai, meu avô e minha avó, que faleceu no mês passado. Também me faz falta o Martinho, professor e amigo. Já enterrei mais gente do que acho que foi razoável enterrar, mas ir ficando adulto é isso mesmo. Não tenho a sensação de ter perdido tempo: aceitei que um sujeito medíocre espiritualmente como eu gasta o dobro de tempo pra entender as coisas que uma criança já madura entende: é preciso conceder e tolerar para amar; o amor da literatura é só ficção; antes de mudar o mundo preciso mudar a mim mesmo; não tenho certeza de nada, de absolutamente nada.


Apesar de ser bastante limitado, tive a chance de encontrar pessoas incríveis ao longo da vida. Algumas delas estarão na quinta à noite, no Studio SP, a partir das 22h. Quem puder apareça. Não precisa levar presente: basta me dar um abração pra eu saber que não estou sozinho, por mais que mereça.

3 comentários :

Ana Néca disse...

Que lindo, que delícia de texto!
Quero chegar nos 36 assim tbm. :)
Feliz ano novo desde já, Rogério!
beijo!

Rogério Duarte disse...

Obrigado, Ana.

Beijão!

Everton Pardal Soares disse...

Queridão vou me esforçar pra ir te ver e prestigiar o evento da produtora. Um abraço e felicidades adiantadas. Acompanhando sempre o blog, e saudades das conversas e de trabalharmos juntos.

Pardal